32 – Alexandre Furmanovich: A Batalha de um Pai Pelo Filho
Os bastidores da disputa de guarda entre Alexandre Furmanovich e Leticia Birkheuer revelam alienação parental, exposição digital e impactos profundos na vida de um adolescente
Alexandre Furmanovich – Os bastidores de uma das mais complexas disputas de guarda do cenário brasileiro, envolvendo o designer de joias Alexandre Furmanovich e a atriz Leticia Birkheuer. Entenda a crua realidade da alienação parental, a instrumentalização de um adolescente como peão em um jogo de poder e as cicatrizes indeléveis de um conflito familiar na era digital.
“A criança, por falta de maturidade física e mental, necessita de proteção e cuidados especiais, inclusive a devida proteção legal, tanto antes como após o nascimento.” – Declaração dos Direitos da Criança, Princípio 4º.
No teatro da vida pública, onde as celebridades são os atores principais de narrativas cuidadosamente construídas, os dramas mais viscerais e dolorosos se desenrolam longe dos olhos do público, nas sombras dos palcos e dos estúdios.
É nesse espaço privado que uma batalha de proporções épicas vem sendo travada há mais de uma década. De um lado, Alexandre Furmanovich, um pai que abdicou de parte de sua vida para se dedicar integralmente ao filho. Do outro, sua ex-esposa, a atriz Letícia Birkheuer, uma figura conhecida e admirada por milhões. No epicentro deste terremoto emocional, encontra-se João Guilherme, um adolescente cuja infância e juventude foram sequestradas por uma guerra que ele não começou, mas da qual se tornou o principal soldado e a maior vítima.
Este artigo é o resultado de um labirinto de documentos judiciais, horas de áudios perturbadores e entrevistas exclusivas que pintam um retrato perturbador e complexo da natureza humana.
Não se trata de uma mera reportagem sobre um divórcio litigioso, mas uma análise de como as dinâmicas de poder, a obsessão por dinheiro e o que especialistas descrevem como traços de um comportamento narcisista podem transformar uma criança em uma arma de destruição. É a história da resistência de um pai que luta não apenas pela guarda, mas pela saúde mental e pela integridade de seu filho, em um mundo onde a verdade é uma mercadoria volátil e a justiça, por vezes, parece um ideal inalcançável.
Alexandre Furmanovich e Letícia Birkheuer– Dinheiro, Controle e a Gênese do Conflito
Toda grande guerra tem uma origem, um ponto de ignição que transforma o desacordo em conflito aberto. A saga da família de Alexandre e Letícia começou a ser escrita com o fim de seu casamento, quando João Guilherme tinha apenas dois anos. Para o público, era o fim de um conto de fadas. Para os envolvidos, era o início de um pesadelo.
“Lógico que era tudo por dinheiro”, afirma Alexandre, com a franqueza de quem já dissecou o passado à exaustão. A partilha de bens, um processo que se arrastou por três longos e agonizantes anos, foi o primeiro campo de batalha. Foi ali que as trincheiras foram cavadas e as primeiras baixas emocionais, contabilizadas.
Desde o primeiro momento, Alexandre afirma ter tentado estabelecer um território de paz, com o bem-estar do filho como a única bandeira.
“O meu princípio é pagar tudo pro meu filho, eu sempre paguei, educação, não sei o que, tudo mais um pouco”, ele enfatiza, descrevendo sua disposição inicial para o diálogo. No entanto, a harmonia se provou uma miragem. A guarda da criança foi estabelecida nos moldes da época, um arranjo que hoje soa arcaico, anterior à consolidação da lei da guarda compartilhada.
“Ficou enquadrada aquela coisa, a cada 15 dias, metade das férias”, explica Alexandre. Uma fórmula matemática que ignorava a complexidade dos laços afetivos e que, na prática, se revelou um desafio logístico monumental, dada a distância geográfica entre São Paulo, onde Alexandre mantinha sua vida e trabalho, e o Rio de Janeiro, onde Letícia residia.
Inconformado com a perspectiva de se tornar uma figura periférica na vida do filho, um “pai de fim de semana”, Alexandre tomou uma decisão drástica, um ato de devoção que definiria os anos seguintes de sua vida. Ele se lançou em uma maratona aérea, uma rotina hercúlea para encurtar a distância imposta pela separação.
“Eu peguei cerca de 1.500 voos, porque eu não deixava ele vir voando sozinho… eu ia pro Rio na sexta, pegava ele e voltava pra São Paulo. Levava no domingo e voltava”.
Este sacrifício monumental, que Alexandre narra com uma mistura de orgulho e cansaço, não era apenas um esforço físico e financeiro, mas a expressão máxima de seu compromisso paterno.
“Tem um vínculo muito forte com ele”, ele diz, e os fatos, como as milhas acumuladas, parecem corroborar sua afirmação.
Enquanto Alexandre se desdobrava nos céus do Brasil para ser um pai presente, a guerra continuava em terra firme, nos corredores dos tribunais. Segundo ele, Letícia não se contentou com a partilha de bens e iniciou uma ofensiva judicial em várias frentes.
“Ela continuou com a disputa por dinheiro em paralelo para a partida de bens, não ganhou nada, zero. E depois ainda entrou com uma ação trabalhista, pedindo indenização já que ela fazia propaganda e vendia jóias para mim, que também perdeu. Foi absurdo, morreu a história”. As derrotas judiciais, no entanto, não serviram para apaziguar os ânimos. Pelo contrário, parecem ter alimentado a chama do ressentimento, mudando o foco da estratégia de ataque para um alvo muito mais vulnerável: o próprio filho.
A Pandemia, um Novo Amor e a Sombra do Abandono
A chegada da pandemia de COVID-19 em 2020 impôs uma nova ordem mundial e, paradoxalmente, uma nova dinâmica na vida da família. O isolamento social e a adoção do ensino à distância fizeram com que João Guilherme passasse a viver por longos e ininterruptos períodos com o pai em São Paulo.
A convivência, antes fragmentada em fins de semana, tornou-se contínua, diária, intensa. O que poderia ser um período de angústia e incerteza se transformou em uma oportunidade de ouro para o fortalecimento dos laços.
“Ele falava no começo: ‘gostaria que tivesse outra pandemia, que ninguém morresse, pra gente ficar tão junto’”, recorda Alexandre. “A gente já acordava segunda-feira e jogava videogame”. Era a redescoberta de uma rotina familiar que a separação havia roubado.
Foi nesse período de intensa convivência paterna que um novo personagem entrou em cena, alterando para sempre o equilíbrio de poder: o novo namorado de Letícia, um empresário da Bahia.
Segundo Alexandre, o início deste relacionamento marcou o começo de um afastamento progressivo e alarmante da mãe. “Na época da pandemia ela conheceu esse namorado da Bahia e começou a deixar o João Guilherme muito tempo comigo aqui em São Paulo e gradativamente, quando voltaram as aulas, ele foi pra lá, ela sucessivamente começou a abandonar ele lá deixava ele com a babá”.
A narrativa de Alexandre é pontuada por episódios que ele descreve com uma mistura de dor e indignação, classificando-os como abandono e negligência. “Ele se acidentou feio duas vezes lá, ela não ajudou. Eu saí de carro de madrugada pra pegar ele”.
As acusações de maus-tratos, que segundo ele iam da negligência ao abuso psicológico, ganharam corpo e resultaram na abertura de dois inquéritos no Ministério Público em 2022. “Tem um inquérito do MP contra ela por maus tratos sobre tudo que ele passava no Rio de Janeiro”.
A situação chegou a um ponto de ruptura. Em uma audiência judicial decisiva, a voz de João Guilherme, então com 11 anos, finalmente ecoou nos autos do processo. Sua vontade, expressa de forma clara e inequívoca, foi acatada pela justiça. Ele queria morar com o pai. A decisão, embora provisória e em caráter de “teste” por um ano, representou uma vitória monumental para Alexandre e, principalmente, para o menino.
A mudança para São Paulo, no entanto, revelou a profundidade das feridas que ele carregava. “Ele voltou de lá tomando antidepressivo, que ela passava em médicos, ela colocava ele como doente, ele estava acima do peso e tudo”, conta Alexandre.
Começava ali um meticuloso e paciente processo de cura. “Eu tirei um ano sabático do trabalho, que eu fiquei cuidando dele. No final ele se adaptou super bem na escola, fez um monte de amigos, ele emagreceu. Ele tá lindo, ele largou os remédios, não toma nada, só toma remédio para TDAH. E tá muito feliz aqui”. A felicidade do filho se tornou a medida de sua vitória.
A Guerra de Narrativas na Era Digital: Alienação Parental 2.0
A conquista da guarda, que deveria ter sido o armistício, o fim da guerra, foi, na verdade, a declaração de uma nova fase do conflito, travada em um campo de batalha muito mais amplo, público e volátil: a internet. Letícia, segundo Alexandre, passou a usar sua imensa plataforma de celebridade e suas redes sociais para construir e disseminar uma narrativa de mãe sofredora, uma vítima de um pai alienador que a impedia de ver o filho.
“Ela foi na justiça bater na tecla que ele não queria vê-la, que eu não deixava. Na verdade, é ele que escolhe”, afirma Alexandre, enfaticamente. Ele se torna o porta-voz do próprio filho: “Como ele falou, ‘eu já tenho quase 15 anos, acho que eu tenho direito de querer escolher, já que foi concedida a minha opinião de vir morar com meu pai com 11 anos’”.
As redes sociais se tornaram a principal artilharia de Letícia. Ela publicava fotos antigas de João Guilherme, estrategicamente selecionadas para mostrar o menino mais novo, mais vulnerável, acima do peso.
Uma tática que Alexandre denuncia como manipuladora. “Tudo que ela posta de foto é tudo com ele pequeno e gordo, ou seja, ela não vê ele há anos, então cadê a foto dele que ele tá bonito e alto hoje, me fala?”, questiona ele, apontando a dissonância entre a imagem projetada e a realidade. “É pra manipulação, na verdade é porque foto de criança choca muito mais do que de um adolescente”.
Cada postagem era como uma bomba, desencadeando uma avalanche de ataques coordenados contra o pai e o adolescente. “Todo mundo começava meio que, como se diz, cair em cima dele, botar arroba João, mandar direct pra ele… Ele veio numa crescente tudo e ele começou a ficar muito abalado com isso”. A exposição pública, a pressão dos seguidores da mãe, o julgamento de milhares de estranhos – tudo isso desabava sobre os ombros de um menino que só queria viver sua vida em paz. O cyberbullying, neste caso, vinha orquestrado de uma fonte inesperada e dolorosa.
O ápice da campanha de desestabilização, segundo o pai, foi o ataque direto e implacável à terapeuta que acompanhava João Guilherme há três anos, uma profissional que havia se tornado um pilar em seu processo de cura.
“Ela mandou uma notificação extrajudicial para a terapeuta… A terapeuta não pôde, nos últimos três meses, atendê-lo até ter a decisão do juiz”. O menino, que encontrava na terapia um espaço seguro para processar seus traumas e angústias, viu-se subitamente desamparado, com seu “porto seguro” sob ataque.
“Onde já se viu? Adolescente não quer fazer terapia, ele adorava ir lá falar dos negócios dele”, lamenta o pai, sobre a crueldade de privar o filho de um suporte tão essencial.
Cansado de ser um peão nesse jogo de xadrez midiático, de ver seu pai ser publicamente crucificado e sua própria imagem distorcida, João Guilherme decidiu fazer seu próprio movimento. Ele não seria mais um objeto na disputa, mas um sujeito de sua própria história.
“Pai, eu queria pela primeira vez me manifestar em público e preciso do teu apoio ao meu lado”, pediu. O vídeo que ele gravou, rebatendo as acusações da mãe e defendendo o pai, foi um ato de coragem, um grito de autoafirmação em meio ao caos.
“Jamais eu teria feito uma coisa dessas, expor um menor de idade… ele quis por conta própria porque ele articula muito bem”, garante Alexandre, com um misto de orgulho pela força do filho e preocupação com as consequências de sua exposição.
Um Padrão de Comportamento? O Espectro da Família Materna
Para Alexandre, o comportamento de Letícia não é um ato isolado, um desvio de rota, mas o reflexo de um padrão familiar, uma espécie de modus operandi que se repete através das gerações. Ele traça um paralelo assustador com a história da irmã de Letícia, Michelle, e seu ex-marido, Diego, pai de João Arthur, primo de João Guilherme. Segundo Alexandre, Michelle teria orquestrado uma campanha de alienação parental implacável contra Diego, que culminou em sua prisão por uma dívida de pensão alimentícia, mesmo sabendo de sua precária situação financeira.
“Fizeram a cabeça do menino que era que nem eu ia fazer com o do meu filho. E ele não podia ver o filho. Quando o menino fez 18 anos, teve uma audiência no dia do aniversário dele e quem entrou foi a Michelle e botou o cara na prisão. E ele ficou três meses na prisão por causa de pensão alimentícia”, relata Alexandre, com a indignação de quem vê a história se repetir como uma farsa trágica. “É de família, é uma coisa, é uma seita”, ele acusa, com palavras duras.
Essa percepção é brutalmente reforçada por áudios de conversas entre João Guilherme e sua avó materna, Elvira. As gravações são um documento sonoro da toxicidade do ambiente familiar.
Em uma delas, o menino, então com apenas 12 anos, confronta a avó sobre a prisão do tio. A avó tenta se eximir da responsabilidade, mas o menino, com uma maturidade forjada na dor, insiste: “Vocês que mandam. Vocês mandaram ordem de prisão pra ele”. A conversa é um vislumbre da complexidade das relações familiares e da carga emocional desproporcional que o menino era forçado a carregar.
Em outro áudio, a avó, em um acesso de fúria descontrolada, despeja sobre o neto uma torrente de ofensas e preconceito: “Você é um neto de merda, criado por um pai viado, filho da puta”, ela grita. A agressão verbal, o ódio nu e cru, a homofobia usada como arma de desqualificação, expõem a profundidade do abismo que separa os dois lados da família. É um retrato sonoro do tipo de abuso psicológico a que João Guilherme era submetido, um abuso que deixa cicatrizes tão ou mais profundas que a violência física.
O Preço da Paz e a Batalha Interminável pela Normalidade
A guerra judicial está longe de ter um fim. Cada processo é um novo capítulo, cada audiência, uma nova batalha. A pedido de Letícia, a justiça suspendeu o passaporte de João Guilherme, uma medida que, na prática, cerceia sua liberdade de ir e vir e o torna ainda mais prisioneiro do conflito. “Ela alegou para a juíza que ia interromper a terapia dele e a gente não pode sair do Brasil”, lamenta Alexandre sobre a atitude desproporcional da atriz.
Alexandre descreve a ex-esposa como alguém cuja vida e cujas emoções parecem girar em torno de seu relacionamento com o namorado. O interesse pelo filho, segundo ele, é intermitente, condicional, quase sazonal. “Se eu fosse um doido e falasse assim, ‘Letícia, vou viajar seis meses, fica com o João Guilherme, eu mando de volta’. Ela não tem como ficar com o filho, não tem interesse. Isso que é o pior de tudo”. Para ele, a mãe só procura o filho nos intervalos de suas crises amorosas, usando-o como uma espécie de âncora emocional temporária, para depois descartá-lo quando a tempestade passa.
Enquanto a guerra se arrasta, João Guilherme tenta, com uma resiliência admirável, construir uma vida normal. “Ele é super feliz. Hoje ele tem namorada. Ele é super articulado”, diz o pai, com um brilho de esperança nos olhos.
Mas as cicatrizes de uma infância passada no front de batalha são profundas e indeléveis. A exposição constante, os ataques, a rejeição da família materna – tudo isso cobra um preço psicológico altíssimo, um preço que ele pagará pelo resto da vida.
Esta não é apenas a história de uma disputa de guarda. É a verdadeira estrutura de uma guerra psicológica, onde a verdade é a primeira vítima e uma criança é a principal munição. É um retrato perturbador de como a fama, o dinheiro e as feridas narcísicas de uma mãe que prefere ficar com o namorado do que com o próprio filho podem corromper os laços mais fundamentais da existência humana. E é, acima de tudo, a história da resistência de um pai e de um filho que, em meio ao caos, lutam por um direito básico e inalienável: o direito à paz.
A saga de João Guilherme é um espelho que reflete as falhas de um sistema e os abismos da alma humana, um lembrete contundente de que, no final das contas, a única vitória que realmente importa é a preservação da inocência e da saúde mental de uma criança. Uma vitória que, neste caso, ainda está sendo disputada, dia após dia, com a mãe dando espetáculos vergonhosos na internet.
Outras Provas
Letícia alega que Alexandre causou um acidente automobilístico e que colocou a vida de João Guilherme em risco. O acidente não aconteceu e o acusado fez todos os exames que comprovaram que ele não estava nem alcolizado e nem “drogado”.


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