Lev Tahor: A Seita Judaica Acusada de Abuso Infantil e Sequestro
Lev Tahor, seita judaica acusada de abuso infantil, sequestro e casamentos forçados, e a resposta internacional contra o grupo
Lev Tahor – Em uma manhã de dezembro de 2024, as portas de um complexo isolado no município de Oratorio, na Guatemala, foram abertas à força por autoridades locais. O que encontraram lá dentro chocou o mundo e expôs, mais uma vez, a realidade de um dos grupos religiosos mais controversos da atualidade. Cento e sessenta crianças, vestidas com roupas modestas e com olhares assustados, foram resgatadas de um ambiente de suposto abuso e controle extremo.

O nome do grupo responsável por essa situação, ironicamente, significa “Coração Puro” em hebraico: Lev Tahor. Este evento foi apenas o capítulo mais recente de uma longa e perturbadora história que se estende por décadas e continentes, envolvendo acusações de sequestro, abuso infantil, casamentos forçados e uma fuga constante da justiça.
Mas o que é o Lev Tahor? Como um grupo que se autodenomina o bastião da pureza judaica se tornou sinônimo de crimes contra os mais vulneráveis? Para entender a complexidade deste fenômeno, é preciso ir além das manchetes e examinar as origens do grupo, a mente de seu fundador, as crenças que sustentam sua existência e as vidas que foram irremediavelmente alteradas por sua influência.
Lev Tahor e a Visão de Shlomo Helbrans
Toda história tem um começo, e a do Lev Tahor está intrinsecamente ligada à figura de seu fundador, Shlomo Erez Helbrans. Nascido em 5 de novembro de 1962 em Kiryat HaYovel, um bairro de Jerusalém, Helbrans cresceu em um ambiente secular, um fato que torna sua posterior transformação em um líder ultra-ortodoxo ainda mais notável. Durante sua juventude, ele passou por um processo de “retorno” à fé, abraçando uma forma de judaísmo Haredi.
No entanto, ele não se contentou em seguir as correntes existentes. Ele acreditava que o judaísmo moderno, mesmo em suas formas mais ortodoxas, havia sido corrompido. Em 1988, ele fundou a Lev Tahor com a missão de restaurar o que ele considerava a forma mais pura e autêntica da prática judaica.
Helbrans possuía um carisma inegável, uma capacidade de articular uma visão que ressoava com aqueles que se sentiam perdidos ou desiludidos com o mundo secular. Ele oferecia uma comunidade, um propósito e um conjunto claro de regras em um mundo que parecia caótico. Seus primeiros seguidores eram, em grande parte, jovens israelenses que, como ele, haviam passado pelo processo de “baal teshuva” (retorno à fé).
Ele estabeleceu uma pequena yeshivá (escola religiosa) em Jerusalém, onde começou a moldar sua comunidade de acordo com seus ideais. A sua interpretação da lei judaica (Halachá) era idiossincrática e muito mais rigorosa do que a da maioria dos grupos Haredi. Ele instituiu um código de vestimenta, regras alimentares e uma estrutura social que o colocava no centro de todas as decisões.
A sua visão, no entanto, não era apenas religiosa; era também profundamente política. Helbrans era um antissionista fervoroso, acreditando que a criação de um estado judeu por meios seculares era uma heresia. Para ele, o Estado de Israel era uma afronta a Deus, e essa crença o colocou em conflito direto com as autoridades israelenses. Sentindo-se perseguido e incapaz de construir sua utopia em sua terra natal, Helbrans começou a procurar um novo lar para sua comunidade.
No início dos anos 1990, ele viu nos Estados Unidos, com sua garantia de liberdade religiosa, o lugar ideal para florescer. Ele e seus seguidores se estabeleceram em Brooklyn, um caldeirão de comunidades judaicas ortodoxas. Mas em vez de se integrar, o Lev Tahor se isolou, e não demorou muito para que suas práticas extremas chamassem a atenção.
O confronto em Nova York, que resultou em sua prisão por sequestro, foi um sinal claro de que a América também não seria o paraíso que ele imaginava. A condenação e a subsequente deportação foram um ponto de virada, transformando Helbrans de um rabino obscuro em um fugitivo internacional, solidificando sua narrativa de perseguição e reforçando a determinação do grupo em encontrar um lugar onde pudessem viver sem qualquer interferência externa.

Uma Vida de Isolamento: As Crenças e Práticas do Lev Tahor
A vida dentro do Lev Tahor é uma imersão total em um universo paralelo, meticulosamente construído para reforçar a autoridade da liderança e isolar seus membros de qualquer influência externa. O código de conduta não é apenas um conjunto de regras, mas um mecanismo de controle psicológico que molda a identidade e a percepção da realidade de cada indivíduo desde o nascimento.
As longas túnicas pretas impostas às mulheres e meninas, conhecidas como “frumka”, são talvez o símbolo mais visível desse controle. A prática, que se assemelha à burca usada por algumas mulheres muçulmanas, não tem precedente no judaísmo convencional e serve para despersonalizar as mulheres, tornando-as indistinguíveis umas das outras e reforçando um ideal de modéstia que beira a invisibilidade.

A alimentação é outro campo de batalha na guerra do Lev Tahor contra o mundo moderno. As leis de kashrut são interpretadas de uma forma tão restritiva que a dieta do grupo se torna extremamente limitada. A proibição de aves e ovos comerciais, a desconfiança em relação a vegetais que possam abrigar insetos microscópicos e a insistência em descascar todas as frutas e legumes criam uma dependência total dos alimentos produzidos pela própria comunidade.
Isso não apenas reforça o isolamento, mas também pode levar a deficiências nutricionais, uma preocupação frequentemente levantada por autoridades de saúde que investigaram o grupo.
O pilar ideológico do antissionismo é martelado na mente dos seguidores desde a infância. O Estado de Israel é retratado como o inimigo, uma entidade secular que usurpou a Terra Santa. Essa demonização serve a um duplo propósito: justifica o exílio autoimposto do grupo e cria um inimigo comum que une a comunidade.
O pedido de asilo ao Irã em 2018, embora possa parecer um ato de loucura para o mundo exterior, é perfeitamente lógico dentro da cosmovisão do Lev Tahor. Se Israel é o inimigo, então o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Este ato extremo revela a profundidade do abismo que separa o Lev Tahor não apenas do judaísmo dominante, mas da comunidade internacional como um todo.
O aspecto mais preocupante do sistema Lev Tahor é, sem dúvida, o tratamento dado às crianças. A educação é uma ferramenta de doutrinação. As crianças aprendem a ler e a escrever em hebraico, mas apenas para estudar os textos sagrados e os escritos de Shlomo Helbrans. O currículo secular é completamente ausente. As investigações no Canadá revelaram uma geração de crianças incapazes de realizar tarefas básicas que qualquer aluno do ensino fundamental dominaria.
Este déficit educacional é deliberado; ele garante que os jovens não tenham as ferramentas intelectuais para questionar o que lhes é ensinado ou para sobreviver fora da comunidade. O casamento infantil é a etapa final desse processo de controle. Ao forçar meninas de 14 ou 15 anos a se casarem com homens mais velhos, a liderança garante sua submissão e inicia um novo ciclo de procriação, perpetuando a existência do grupo. Para as meninas, isso significa o fim de sua infância e o início de uma vida de servidão doméstica e maternidade precoce, sem qualquer possibilidade de escolha ou autonomia.
Denúncias, Fugas e a Resposta das Autoridades
A década de 2010 marcou o fim do isolamento relativo do Lev Tahor. A investigação em Quebec, iniciada em 2013, foi o catalisador que expôs as práticas do grupo ao mundo. As alegações que emergiram dos depoimentos de assistentes sociais e de alguns ex-membros eram chocantes. Falava-se de crianças sendo espancadas com varas e cabides, de um ambiente de terror psicológico e de uma total negligência com a saúde e o bem-estar dos menores.
A fuga para Ontário foi uma tentativa desesperada de escapar da justiça, mas apenas serviu para ampliar o escândalo. A imagem de uma comunidade inteira fugindo no meio da noite para evitar que as crianças fossem protegidas pelo Estado solidificou a percepção pública do Lev Tahor como uma seita perigosa.
A Guatemala parecia oferecer a promessa de um novo começo, um lugar onde o longo braço da lei canadense não os alcançaria. No entanto, a era digital tornou o anonimato impossível. Ex-membros, agora organizados e com acesso à internet, começaram a compartilhar suas histórias e a pressionar por uma ação internacional. Ativistas em Israel e nos Estados Unidos se juntaram à causa, criando uma rede de oposição que o Lev Tahor não podia mais ignorar.
A operação de resgate de dezembro de 2024 na Guatemala foi o resultado dessa pressão combinada. Foi uma operação complexa, que envolveu a cooperação entre as autoridades guatemaltecas e agências de inteligência dos EUA. O fato de ter sido desencadeada pelo testemunho de quatro menores que arriscaram tudo para escapar fala muito sobre as condições dentro do complexo.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o sistema judicial estava lentamente construindo um caso contra a liderança do grupo. As acusações não eram vagas; eram específicas e apoiadas por evidências. O caso que levou à condenação de Nachman Helbrans em 2022 foi particularmente revelador. Ele não foi condenado por suas crenças religiosas, mas por crimes bem definidos no código penal: sequestro, exploração sexual infantil e conspiração.
O tribunal ouviu como ele e outros líderes planejaram e executaram o sequestro de uma menina de 14 anos e de seu irmão de 12, que haviam sido levados para Nova York por sua mãe após ela fugir da seita na Guatemala. O objetivo era levar a menina de volta para seu “marido”, um homem adulto com quem ela havia sido forçada a se casar. A sentença de 12 anos de prisão para Nachman foi uma mensagem clara de que a alegação de liberdade religiosa não serve como um escudo para proteger criminosos de seus atos.
Alegações de Abuso e Intervenções Legais
As alegações de abuso físico, psicológico, negligência e casamentos forçados de menores são o ponto central das controvérsias envolvendo o Lev Tahor. A pesquisa confirma a veracidade dessas acusações, que foram a base para múltiplas investigações e intervenções governamentais.
| Evento | Detalhes Conforme Pesquisa | Fonte |
|---|---|---|
| Investigação no Canadá (2013-2014) | Autoridades de proteção infantil de Quebec investigaram alegações de educação inadequada, problemas de saúde e higiene, e casamentos forçados de adolescentes a partir dos 14 anos. Uma ordem judicial para remover 14 crianças levou à fuga do grupo para Ontário. | CBC News. (2014, 6 de março). Lev Tahor: 5 questions answered on the ultra-Orthodox Jewish sect fleeing Canada. |
| Resgate na Guatemala (Dezembro de 2024) | Uma grande operação policial resgatou 160 crianças de um complexo do grupo. A ação foi motivada por denúncias de abuso, violação e gravidez forçada, iniciadas por quatro menores que conseguiram escapar. | BBC News Mundo. (2024, 23 de dezembro). 160 niños rescatados en Guatemala de Lev Tahor, la secta ultraortodoxa judía acusada de tráfico de personas y abuso sexual. |
| Condenações nos EUA (2018-2022) | Vários líderes, incluindo o líder atual Nachman Helbrans, foram condenados por crimes como sequestro e exploração sexual infantil. Nachman foi sentenciado a 12 anos de prisão em 2022 por orquestrar o sequestro de uma jovem de 14 anos para forçá-la a retornar a um casamento arranjado. | BBC News Mundo. (2025, 24 de novembro). Qué es Lev Tahor, la secta judía ultraortodoxa de la que rescataron a 17 menores en Colombia y a la que acusan de tráfico y abuso infantil. |
| Resgate na Colômbia (Novembro de 2025) | Autoridades colombianas resgataram 17 menores de idade que estavam com membros da seita no país. | BBC News Mundo. (2025, 24 de novembro). Qué es Lev Tahor, la secta judía ultraortodoxa de la que rescataron a 17 menores en Colombia y a la que acusan de tráfico y abuso infantil. |
Testemunhos de Ex-Membros
Por trás de cada processo judicial e de cada manchete de jornal, há histórias pessoais de sofrimento e resiliência. Os testemunhos de ex-membros do Lev Tahor são a evidência mais contundente da natureza abusiva do grupo. Eles falam de um sistema projetado para quebrar o espírito humano e garantir a lealdade absoluta ao líder.
As punições por infrações, mesmo as menores, eram cruéis e humilhantes. Um ex-membro descreveu como foi forçado a ficar de pé por horas a fio, sem dormir, como punição por questionar uma decisão do rabino. Outro contou como as crianças eram rotineiramente espancadas na escola por não conseguirem memorizar passagens dos textos religiosos.
O controle se estendia aos relacionamentos mais íntimos. Os casamentos eram arranjados pela liderança, muitas vezes sem que os noivos se conhecessem. O amor e a afeição eram vistos com suspeita, e os casais eram incentivados a relatar qualquer comportamento desviante de seus cônjuges. A vida sexual era estritamente regulada, com o único propósito de procriação.
Para as mulheres, a vida era um ciclo interminável de gravidez, parto e cuidados com os filhos, sem acesso a cuidados médicos adequados e sem qualquer autonomia sobre seus próprios corpos.
A decisão de fugir era um passo aterrorizante. Significava deixar para trás tudo o que se conhecia: família, amigos e a única estrutura social que já haviam experimentado. A fuga em si era perigosa, muitas vezes envolvendo planejamento secreto e a ajuda de redes clandestinas de ativistas. Uma vez do lado de fora, os desafios eram imensos. Sem educação formal, sem conhecimento do mundo moderno e carregando um profundo trauma psicológico, a adaptação era um processo longo e doloroso.
Muitos ex-membros lutam contra a depressão, a ansiedade e o estresse pós-traumático. No entanto, apesar das dificuldades, eles também falam da alegria de experimentar a liberdade pela primeira vez: a liberdade de escolher suas próprias roupas, de comer o que querem, de ler um livro ou de simplesmente andar na rua sem medo. Suas histórias são um testemunho da força do espírito humano e da busca universal pela liberdade e pela dignidade.
O Legado e o Futuro Incerto do Lev Tahor
O Lev Tahor hoje se encontra em uma encruzilhada. A prisão de sua liderança e as recentes operações de resgate representam os golpes mais duros que o grupo já sofreu. No entanto, seria prematuro declarar seu fim. A história nos mostra que grupos como este são surpreendentemente resilientes. A ideologia de martírio e perseguição, tão central para a identidade do Lev Tahor, pode, na verdade, ser reforçada por esses eventos.
Para os membros que permanecem, a prisão de seus líderes pode ser vista como a prova final de que o mundo exterior está determinado a destruir sua “sagrada” comunidade. Novos líderes, talvez ainda mais radicais, podem emergir para preencher o vácuo de poder.
A batalha legal e humanitária em torno do Lev Tahor também expôs os desafios que as democracias liberais enfrentam ao lidar com grupos religiosos extremistas. A linha entre proteger a liberdade religiosa e intervir para prevenir o abuso é tênue e muitas vezes difícil de traçar.
O caso do Lev Tahor, no entanto, parece apresentar menos ambiguidades. As evidências de crimes graves são tão avassaladoras que a inação não é uma opção. A comunidade internacional, embora lenta para agir, parece ter chegado a um consenso de que o bem-estar das crianças deve prevalecer sobre qualquer alegação de liberdade religiosa.
A Psicologia do Controle e o Perfil do Fundador
Para compreender a longevidade e a resiliência do Lev Tahor, é fundamental analisar a psicologia por trás de seu sistema de controle e a personalidade de seu fundador. Shlomo Helbrans não era apenas um líder religioso; ele era um mestre da manipulação psicológica. Ele compreendia a necessidade humana de pertencimento, de propósito e de certeza em um mundo incerto. Ele oferecia respostas simples para questões complexas e uma identidade clara para aqueles que se sentiam à deriva.
Seus primeiros seguidores, muitos dos quais estavam em uma fase de transição em suas vidas, eram particularmente vulneráveis ao seu carisma. Ele os isolava de suas famílias e de suas redes de apoio anteriores, criando uma dependência total da comunidade. Dentro desse ambiente fechado, a realidade era redefinida. O mundo exterior era pintado como corrupto e perigoso, enquanto a comunidade era o único refúgio de pureza. Qualquer crítica ou questionamento era rapidamente rotulado como uma fraqueza espiritual ou uma influência maligna, e a dúvida era combatida com punições e doutrinação intensificada.
O controle era mantido através de uma combinação de técnicas clássicas de manipulação de seitas. A privação de sono, o jejum e a vigilância constante criavam um estado de exaustão física e mental que tornava os membros mais sugestionáveis e menos capazes de pensamento crítico. A prática de incentivar os membros a espionar uns aos outros criava um ambiente de desconfiança generalizada, impedindo a formação de alianças que pudessem desafiar a liderança.
O controle sobre a informação era absoluto. Sem acesso a jornais, televisão ou internet, os membros não tinham como verificar as alegações do líder ou aprender sobre o mundo exterior. Suas mentes eram moldadas para aceitar a visão de mundo do Lev Tahor como a única verdade.
As Complexidades da Resposta Internacional
A saga do Lev Tahor através de múltiplos países também destaca as complexidades e as lacunas na cooperação jurídica internacional. A capacidade do grupo de se mover de uma jurisdição para outra, explorando as diferenças nas leis de imigração, proteção infantil e extradição, foi um fator chave em sua sobrevivência. Quando as autoridades em Quebec começaram a apertar o cerco, o grupo simplesmente se mudou para Ontário. Quando a pressão aumentou no Canadá, eles fugiram para a Guatemala. Cada movimento comprava tempo e criava novos obstáculos burocráticos para as autoridades.
A questão da liberdade religiosa também complicou a resposta. Em democracias ocidentais, há uma relutância compreensível em interferir nos assuntos internos de comunidades religiosas. O Lev Tahor explorou essa relutância ao máximo, enquadrando cada investigação como um ataque à sua fé. No entanto, o crescente corpo de evidências de abuso infantil tornou essa defesa cada vez mais insustentável.
O caso do Lev Tahor forçou as autoridades e os tribunais a confrontar a questão de onde traçar a linha. A conclusão, afirmada em múltiplas decisões judiciais, é que a liberdade religiosa termina onde o abuso infantil começa. A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, que foi ratificada pela maioria dos países onde o Lev Tahor operou, fornece uma base legal clara para a intervenção quando o bem-estar de uma criança está em risco.
A cooperação entre países, embora lenta no início, tornou-se mais eficaz com o tempo. A colaboração entre as autoridades dos EUA, Canadá, Israel e Guatemala foi crucial para as prisões e operações de resgate mais recentes. O uso de acusações federais nos EUA, como as relacionadas a sequestro e exploração sexual, provou ser uma ferramenta eficaz, pois permitiu que o FBI e outras agências federais perseguissem os líderes do grupo através das fronteiras estaduais e internacionais.
A saga do Lev Tahor, portanto, não é apenas uma história sobre uma seita, mas também uma lição sobre a necessidade de uma cooperação internacional mais robusta para proteger as crianças da exploração e do abuso, independentemente de onde ocorram.
Lev Tahor
A saga do Lev Tahor é uma narrativa complexa e perturbadora sobre fé, poder e abuso. A análise cuidadosa dos fatos revela que, por trás da fachada de uma comunidade devota em busca de pureza espiritual, existe uma estrutura de controle autoritário que tem causado um sofrimento imenso, especialmente a seus membros mais jovens e vulneráveis.
As acusações de abuso infantil, sequestro e exploração não são meras alegações, mas fatos comprovados por investigações policiais, processos judiciais e os testemunhos corajosos daqueles que conseguiram escapar. A alegação do grupo de ser vítima de perseguição religiosa se desfaz diante do peso das evidências.
O futuro do Lev Tahor permanece incerto, mas sua história serve como um poderoso lembrete da escuridão que pode se esconder por trás de portas fechadas e da importância da vigilância e da intervenção para proteger os direitos humanos.
O caminho daqueles que escaparam, em busca de uma vida de liberdade e dignidade, é um testemunho da resiliência do espírito humano. A história do Lev Tahor não é apenas sobre uma seita; é sobre a luta universal pela liberdade, pela justiça e pela proteção dos inocentes. E essa é uma luta que nunca deve ser abandonada.



