Raquel Kuibida: Quando o Erro Médico Encontra Amparo no Judiciário
Erro médico em Prudentópolis: Raquel Kuibida denuncia perfuração em procedimento ginecológico, cirurgias negadas e possível violação de direitos humanos
Raquel Kuibida– Em meio à paisagem serena de Prudentópolis (Paraná), uma cidade conhecida por suas cachoeiras e pela forte presença da cultura ucraniana no interior do Paraná, desenrola-se um drama humano que contrasta brutalmente com a tranquilidade local. A vida de Raquel Alves Leria Kuibida, uma mãe agora com 50 anos, foi irremediavelmente alterada por um evento que deveria ser rotineiro e seguro.
Um procedimento ginecológico, realizado em 1º de setembro de 2022, tornou-se o marco zero de uma extenuante e solitária luta por saúde, dignidade e, acima de tudo, por justiça. Há quase quatro anos, Raquel enfrenta não apenas complicações físicas debilitantes, mas também um labirinto burocrático que, segundo ela, é marcado por descaso, negligência institucional e uma aparente indiferença de um sistema que deveria protegê-la.
Conheça a história de uma mulher que foi vítima de um grave erro médico. O incidente inicial, uma perfuração ao lado do canal da uretra, a agulha ficou cravada embaixo do clitóris três centímetros do lado do canal. O médico retirou a agulha e disse que não foi “nada”. Esse “nada” garantido pelo médico desencadeou um quadro de sofrimento contínuo. O diagnóstico de um urologista, um dos poucos profissionais que pareceram dar a devida atenção ao seu caso, é claro e direto: “abscesso de repetição pela perfuração”.
A sua busca por reparação e tratamento adequado expõe as profundas fragilidades do sistema de saúde pública e levanta questionamentos severos sobre a integridade, a ética e a responsabilidade das instituições locais. A história de Raquel não é apenas sobre um procedimento que deu errado; é sobre um sistema que, segundo ela, falhou em todas as etapas subsequentes, transformando a sua vida em um calvário.
A história de Raquel é um emaranhado de laudos médicos conflitantes, encaminhamentos que desaparecem misteriosamente, cirurgias essenciais que são canceladas sem justificativa plausível e uma sensação avassaladora de impotência diante de uma muralha de silêncio e inação.
A alegação de que o profissional de saúde envolvido no incidente inicial possui laços familiares com uma figura política proeminente da cidade adiciona uma camada de complexidade e suspeita ao caso, alimentando temores de tráfico de influência e proteção corporativa.
Raquel Kuibida: Um Procedimento Simples, Consequências Graves
Tudo começou em 1º de setembro de 2022. Raquel Kuibida, buscando resolver o que parecia ser um problema ginecológico simples, procurou o Centro de Especialidades de Prudentópolis. O que deveria ser uma intervenção de rotina, contudo, resultou em uma lesão grave e permanente.
Conforme seu relato, formalizado em um boletim de ocorrência e em uma queixa registrada na ouvidoria municipal, o médico responsável pelo procedimento teria utilizado uma agulha de forma inadequada, causando uma perfuração ao lado do canal da uretra. A dor, segundo ela, foi imediata e lancinante, mas suas queixas teriam sido minimizadas pelo profissional no momento do ocorrido, um primeiro sinal do descaso que se tornaria uma constante em sua história.
Nos meses que se seguiram, o estado de saúde de Raquel deteriorou-se de forma progressiva e alarmante. Ela passou a sofrer com abscessos de repetição na região genital, uma condição extremamente dolorosa e debilitante que a impedia de levar uma vida normal. A busca por uma solução transformou-se em uma verdadeira peregrinação por diferentes médicos, hospitais e unidades de saúde. As respostas, no entanto, eram quase sempre paliativas. Prescrições de antibióticos e analgésicos potentes, incluindo morfina, ofereciam um alívio temporário para a dor excruciante, mas não endereçavam a causa fundamental do problema, que persistia e se agravava a cada novo ciclo de inflamação e dor.
A gravidade da condição de Raquel é atestada por uma série de documentos médicos que foram anexados ao seu processo. Uma referência assinada pelo Dr. Mayki Pereira, em 27 de setembro de 2024, é particularmente contundente e ilustra a severidade do quadro. O médico descreve um “quadro de dor intensa na região genital com histórico de intervenções em duas ocasiões para manejo da dor com morfina”.
De forma ainda mais preocupante, ele relata uma “alteração na anatomia do clitóris, que estaria ‘afundando'”, e aponta para a necessidade inequívoca de uma cirurgia de reconstrução a ser realizada “o mais breve possível”. Este documento médico, por si só, pinta um quadro claro e objetivo da severidade do dano físico sofrido por Raquel e da urgência de uma intervenção cirúrgica reparadora.
Outros registros médicos corroboram a longa e penosa história de sofrimento. Uma referência emitida pelo Dr. Guilherme Hellvig Motta, em agosto de 2024, já indicava a necessidade de uma cirurgia ginecológica. Em novembro do mesmo ano, uma contra-referência do Hospital São Vicente de Paula, em Guarapuava, registra um “histórico de abscesso inflitracioriano de repetição há 2 anos”.
A documentação médica, portanto, não deixa margem para dúvidas sobre a cronicidade e a seriedade do problema de saúde que aflige Raquel, um problema que teve início claro e documentado após o procedimento de setembro de 2022. A correlação temporal entre o procedimento e o início dos sintomas é uma evidência forte que não pode ser ignorada.
O Labirinto Burocrático e a Intervenção dos Direitos Humanos
A resposta das instituições de saúde e do sistema de justiça de Prudentópolis à situação de Raquel Kuibida constitui um capítulo à parte nesta história, um capítulo marcado por contradições, omissões e uma aparente falta de urgência que agrava ainda mais o sofrimento da vítima. A análise dos documentos e dos relatos de Raquel revela um padrão de comportamento institucional que levanta sérias questões sobre a responsabilidade, a ética e a transparência dos órgãos públicos envolvidos.
| Instituição | Ação Declarada/Realizada | Resultado para a Paciente |
| Secretaria Municipal de Saúde | Recebimento de múltiplos pedidos e encaminhamentos para cirurgia. | Negação da existência de solicitações ao Poder Judiciário; desaparecimento de documentos cruciais. |
| Poder Judiciário (Vara Cível de Prudentópolis) | Concessão inicial de tutela de urgência; posteriores indeferimentos. | Revogação da tutela; indeferimento de múltiplos pedidos de cirurgia de urgência pelo Juiz Ronei Bruno dos Santos Reis. |
| Ministério Público (Prudentópolis) | Atendimento à vítima; recebimento de denúncias. | Negação de múltiplos pedidos pelo Promotor Dr. Diego Rinald Córdova; ausência de medidas investigativas efetivas. |
| Polícia Civil | Registro de Boletim de Ocorrência por lesão corporal. | Inquérito policial sem andamento aparente; recusa em fornecer cópia de laudo do IML à vítima. |
| Comissão de Direitos Humanos | Múltiplas denúncias ao MP-PR; denúncia ao CNJ. | Denúncias ignoradas pelo MP; inclusão da vítima em programa de proteção. |
O caso ganhou uma nova e crucial dimensão com a intervenção da Comissão de Direitos Humanos, que, diante da inércia e do que parecia ser uma obstrução deliberada da justiça em nível local, passou a atuar em defesa de Raquel. Foram feitas várias denúncias formais ao Ministério Público do Paraná, detalhando a violação de direitos e a negligência continuada.
Todas, segundo a vítima, foram sumariamente ignoradas, sem a instauração de um procedimento investigatório adequado. A gravidade da situação, o risco à vida de Raquel e a falha das instituições em protegê-la levaram à sua inclusão no programa de proteção a vítimas de violação de direitos humanos, um reconhecimento formal e contundente de que sua integridade e seus direitos fundamentais estavam, e continuam, sob grave ameaça.
Em uma ação de enorme gravidade e repercussão, a Comissão de Direitos Humanos escalou a denúncia para o âmbito nacional, protocolando uma queixa formal contra o juiz da Vara Cível de Prudentópolis, Ronei Bruno dos Santos Reis, junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A denúncia, um documento robusto, acusa o magistrado de violação dos direitos humanos contra Raquel.
A alegação central é que o juiz, mesmo tendo plena ciência das evidências do erro médico, dos laudos que atestavam a urgência e da condição de saúde deteriorante da vítima, indeferiu repetidamente os pedidos de cirurgia. Tais decisões, segundo a denúncia, não apenas prolongaram o sofrimento de Raquel, mas também a colocaram em risco de vida, configurando uma falha grave em seu dever de garantir o direito fundamental à saúde e à vida.
Da mesma forma, o promotor de justiça da comarca, Dr. Diego Rinald Córdova, é apontado por Raquel como uma figura central na negação de seus direitos. Ela afirma que o promotor, que deveria atuar como fiscal da lei e protetor dos direitos dos cidadãos, negou vários pedidos cruciais para seu tratamento, alinhando-se à inércia do sistema e deixando-a sem o amparo do Ministério Público.
“Demandante relata que a vítima sofreu negligência ginecológica onde o médico enfiou a agulha embaixo do clitóris da vítima e desde então começou sair obsesso de repetição no local e mesmo com laudos encaminhamentos para cirurgia com urgência, o juiz e o promotor do município negaram todos os pedidos da vítima.
Explana que o município responsável pelo médico não encaminhou ela para a cirurgia e além de tudo falsificaram os laudos, exames e desmarcaram a cirurgia e consumiram com todos os encaminhamentos que a vítima deixou na secretaria de saúde do município. Relata por fim que a vítima chegou a registrar um boletim de ocorrência e o delegado não fez nada para ajudar ela, e nem o ministério publico deixando-a em situação de vulnerabilidade.”
Este trecho, extraído de uma das denúncias formais, resume a percepção de abandono total e de uma conspiração de silêncio. A vítima se vê enredada em uma teia onde alega que documentos são falsificados e desaparecem, e as autoridades que deveriam protegê-la se omitem ou agem ativamente contra seus interesses. A sensação de discriminação é palpável e dolorosa.
“Aqui existe a lei do silêncio, os funcionários públicos do município acobertam tudo o que acontece de errado. Eu me sinto discriminada pela justiça”, desabafa Raquel, verbalizando um sentimento de que as regras não se aplicam a todos da mesma forma em sua cidade.
A Voz da Vítima: Relatos de Dor, Medo e Abandono
Para além dos documentos frios e dos trâmites processuais, a dimensão humana do caso de Raquel é devastadora. Seus relatos, colhidos de conversas, mensagens e queixas formais, revelam o profundo e avassalador impacto que esta situação teve em todos os aspectos de sua vida. São palavras que ecoam a dor física, o abalo psicológico e a sensação de completo abandono por parte de quem deveria cuidar e proteger.
“Minha situação é grave, sou mãe atípica, tenho um filho autista severo, não estou conseguindo cuidar dele, tem dias que mal consigo andar”, desabafa ela, expondo de forma crua como sua condição física afeta diretamente sua capacidade de cuidar de sua família e de seu filho, que depende integralmente de seus cuidados. A dor crônica a impede de realizar tarefas básicas, e a preocupação com o bem-estar do filho se soma ao seu próprio sofrimento, criando um ciclo de angústia e culpa.
O sofrimento, contudo, não é apenas físico. O abalo psicológico é evidente e profundo. “Estou todo este tempo passando por extremo sofrimento físico e psicológico porque fui negligenciada pelo ministério público do município de Prudentópolis PR”. Raquel relata ter sido encaminhada para apoio psicológico por médicos que constataram seu estado de ansiedade e depressão, mas afirma que até mesmo este acesso lhe foi negado, em mais uma demonstração de descaso que beira a crueldade. A saúde mental, tão importante quanto a física, foi completamente ignorada.
A percepção de que está sendo deliberadamente prejudicada e de que há uma conspiração para acobertar o erro inicial é uma constante em seus relatos. Ela menciona a suspeita de que seus registros médicos foram apagados do sistema do hospital e que laudos foram alterados para minimizar a gravidade de sua condição. “Eles falsificaram laudos, exames, desmarcaram cirurgia, fizeram o que quiseram comigo”, afirma, com a voz de quem se sente violada em seus direitos mais básicos e tratada não como uma paciente, mas como um problema a ser escondido.
O medo e a intimidação também se tornaram parte de sua realidade. Raquel narra um episódio particularmente perturbador, no qual teria recebido a visita de uma representante da secretaria da mulher do município. Segundo ela, a visita não foi de apoio, mas de advertência.
“Ela disse que se eu entrasse com processo contra o município era pra eu ficar preparada que ia vir bomba pra cima de mim”. Este relato, se confirmado, configura um ato de intimidação inaceitável e um abuso de poder, vindo de um órgão que deveria proteger a mulher em situação de vulnerabilidade. A mensagem era clara: cale-se ou sofra as consequências.
Essa combinação de dor crônica, falha no tratamento, bloqueio no sistema de justiça e intimidação cria um ambiente de total desamparo. A fala de uma médica, segundo o relato de Raquel, resume a gravidade de seu estado e o sentimento de que foi deixada para trás: “A doutora que já me encaminhou duas vezes pra cirurgia falou que eu já era pra estar morta”. Essa frase, de uma profissional de saúde, revela a dimensão do risco que Raquel corre e a aparente indiferença de parte do sistema à sua condição.
Análise Sistêmica: Onde o Sistema Falhou?
O caso de Raquel Kuibida não pode ser visto como uma sucessão de eventos isolados e infelizes. Ele é, na verdade, um sintoma de falhas sistêmicas profundas que se manifestam em diferentes níveis do serviço público. A análise aprofundada revela uma cadeia de erros, omissões e negligências que vão muito além do incidente inicial, tocando em questões de ética médica, responsabilidade do Estado, e a integridade do próprio sistema de justiça.
A Falha na Praxis Médica e a Cultura do Silêncio
Do ponto de vista médico, o caso envolve o que se denomina iatrogenia – um dano à saúde causado por um ato médico. A perfuração da uretra, embora uma complicação possível, exige uma resposta imediata, transparente e reparadora, o que alegadamente não ocorreu. A falha não reside apenas na ocorrência do erro, mas na subsequente cadeia de más condutas: a minimização da dor da paciente, a falha em diagnosticar e tratar adequadamente as consequências, e a aparente falta de um plano de reparação.
A persistência dos abscessos e da dor por quase quatro anos, sem uma solução definitiva, é uma falha de tratamento contínua e indesculpável, que viola os princípios mais básicos da medicina.
Além disso, a situação aponta para uma possível cultura corporativista de silêncio. A dificuldade em obter laudos claros, a recusa em fornecer cópias de exames do IML e a suposta alteração de registros sugerem uma tentativa de proteger o profissional envolvido, em detrimento da segurança e do bem-estar da paciente. Esta “lex artis” distorcida, onde a proteção do colega se sobrepõe ao juramento de Hipócrates, é uma das mais graves patologias que podem acometer a prática médica e mina a confiança da sociedade nos profissionais de saúde.
A Responsabilidade do Estado e a Violação de Direitos
Juridicamente, a questão é complexa e multifacetada. A responsabilidade civil do profissional e da instituição pelo erro médico é a primeira camada. A segunda, e talvez mais grave, é a responsabilidade do Estado pela negligência na prestação do serviço de saúde. O direito à saúde é uma garantia fundamental inscrita no artigo 196 da Constituição Federal do Brasil.
O Estado tem o dever de fornecer os meios para a promoção, proteção e recuperação da saúde de seus cidadãos. A falha em prover um tratamento necessário e urgente a Raquel, especialmente após uma lesão ocorrida dentro do próprio sistema público, configura uma grave omissão e uma violação de seus direitos fundamentais.
As ações do juiz Ronei Bruno dos Santos Reis e do promotor Diego Rinald Córdova, conforme alegado pela vítima e pela Comissão de Direitos Humanos, elevam a questão de uma simples negligência administrativa para uma possível prevaricação ou obstrução da justiça.
Ao negar repetidamente os pedidos de cirurgia de urgência, mesmo diante de laudos médicos alarmantes, e ao ignorar as denúncias, esses agentes públicos podem ter falhado em seus deveres mais básicos, contribuindo ativamente para o agravamento da saúde e do sofrimento de Raquel. A denúncia ao CNJ é um passo fundamental para que a conduta desses agentes seja devidamente investigada e, se for o caso, punida.
O Impacto Psicológico da Negligência Institucional
O sofrimento de Raquel transcende a dor física. A negligência institucional continuada causa um trauma psicológico profundo, muitas vezes invisível aos olhos do sistema. A sensação de ser desacreditada, de ter sua dor minimizada e de ser tratada como um incômodo gera sentimentos de raiva, frustração e desesperança.
Especialistas em saúde mental apontam que vítimas de erro médico e de negligência estatal frequentemente desenvolvem quadros de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), ansiedade crônica e depressão severa. A luta constante contra um sistema indiferente é, em si, uma fonte de adoecimento psíquico.
No caso de Raquel, este fardo é agravado por sua condição de mãe de uma criança com autismo severo. A sua incapacidade de cuidar plenamente do filho gera uma camada adicional de culpa e angústia, sentimentos que são explorados ou ignorados por um sistema que falha em oferecer o suporte psicossocial necessário. A negação do acesso ao apoio psicológico, como relatado por Raquel, é uma forma de violência institucional que a isola ainda mais em seu sofrimento, uma tortura psicológica que se soma à dor física.
Suspeitas de Influência e o Peso do Silêncio
Um fator que permeia toda a narrativa de Raquel e que não pode ser ignorado é a alegação persistente de que o médico responsável pelo erro inicial é filho de uma figura política local influente. Embora esta informação não seja oficialmente confirmada nos documentos judiciais disponíveis, a vítima a reitera em múltiplas ocasiões, e essa percepção molda sua experiência de busca por justiça e a sua desconfiança no sistema.
Se verdadeira, esta circunstância poderia oferecer um contexto para a série de obstáculos que Raquel tem enfrentado. Poderia ajudar a explicar por que, apesar de um boletim de ocorrência por lesão corporal ter sido registrado, a investigação policial parece não ter avançado.
Poderia lançar luz sobre a suposta atitude da Secretaria Municipal de Saúde, que, segundo a vítima, agiu de forma a proteger o profissional em detrimento da paciente, chegando ao ponto de, alegadamente, ocultar documentos. E, de forma mais grave, poderia explicar o ato de intimidação que Raquel relata ter sofrido por parte de uma agente pública, uma tentativa de silenciá-la através do medo.
A alegação de que “aqui se você for vítima de erro médico eles te deixam morrer” é uma frase de efeito, mas reflete uma percepção amarga e desesperada de que pode existir uma proteção sistemática de certos profissionais, criando um ambiente de impunidade que mina a confiança da população no sistema de saúde e na justiça. Se este for o caso em Prudentópolis, ele representa uma falha fundamental nos mecanismos de responsabilização e na ética profissional que deveriam reger o serviço público. A justiça não pode ter dois pesos e duas medidas.
Justiça, Responsabilidade e Humanidade
A história de Raquel Alves Leria Kuibida é mais do que um caso isolado de erro médico. É um retrato contundente e doloroso das dificuldades que um cidadão comum pode enfrentar ao buscar seus direitos mais básicos contra um sistema que, por vezes, se mostra lento, indiferente e, possivelmente, suscetível a influências externas. A sua luta solitária evidencia a necessidade urgente de maior transparência, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade no atendimento de saúde pública e nos corredores da justiça.
Após quase quatro anos de dor física incessante, sofrimento psicológico profundo e batalhas burocráticas frustrantes, Raquel continua a clamar por uma solução definitiva. Ela não busca vingança, mas sim o fim de seu sofrimento e a responsabilização daqueles que, por ação ou omissão, contribuíram para sua condição atual. O seu caso serve como um alerta poderoso para a importância de mecanismos de controle mais eficazes, de ouvidorias atuantes e independentes, e de um sistema judiciário que priorize a dignidade e a saúde do indivíduo acima de formalidades processuais, laudos conflitantes e possíveis pressões externas.
A sociedade e as autoridades competentes têm o dever de ouvir o apelo de Raquel. Uma investigação rigorosa e imparcial sobre todas as alegações – incluindo o erro médico inicial, a negligência no tratamento, o desaparecimento de documentos, a suposta intimidação e, crucialmente, a conduta dos agentes públicos citados, o juiz Ronei Bruno dos Santos Reis e o promotor Diego Rinald Córdova – é o mínimo que se espera em um Estado de Direito.
A resolução do caso de Raquel Kuibida não será apenas uma vitória pessoal para ela; será um passo importante para reafirmar que, no Brasil, o direito à saúde e à justiça deve ser acessível a todos, independentemente de sua condição social ou da influência daqueles que possam ter causado seu dano. A dignidade de Raquel, e de tantos outros em situação semelhante, depende disso.
Responsabilidade Civil e Penal
O caso de Raquel Kuibida pode ser analisado sob duas óticas jurídicas principais: a responsabilidade civil e a responsabilidade penal. No âmbito cível, a responsabilidade do médico e do hospital é, em regra, subjetiva, ou seja, depende da comprovação de culpa (negligência, imprudência ou imperícia). No entanto, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), aplicável aos serviços de saúde, estabelece a responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, o que significa que a instituição de saúde responde independentemente de culpa, bastando a comprovação do dano e do nexo causal entre o dano e o serviço defeituoso. A responsabilidade do médico, contudo, permanece subjetiva, conforme o § 4º do art. 14 do CDC.
No caso de Raquel, a perfuração da uretra durante um procedimento ginecológico pode configurar, em tese, um erro médico por imperícia (falta de habilidade técnica) ou negligência (falta de cuidado). A recusa em prestar socorro adequado e a minimização da dor da paciente podem caracterizar omissão de socorro, um crime previsto no art. 135 do Código Penal. Além disso, a suposta falsificação de laudos e o desaparecimento de documentos podem configurar os crimes de falsidade ideológica (art. 299 do CP) e supressão de documento (art. 305 do CP).
A responsabilidade do Estado também é evidente. A Constituição Federal, em seu art. 37, § 6º, estabelece a responsabilidade objetiva do Estado pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Assim, o município de Prudentópolis pode ser responsabilizado pelos atos do médico que atendeu Raquel, bem como pela omissão na prestação do serviço de saúde.
A recusa do juiz e do promotor em garantir o direito à saúde de Raquel também pode gerar responsabilidade do Estado, além de configurar, em tese, crime de prevaricação (art. 319 do CP), que consiste em retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
O Papel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é um órgão do Poder Judiciário com a missão de zelar pela autonomia do Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos normativos e recomendar providências. O CNJ também recebe e apura denúncias contra magistrados e outros servidores do Judiciário, podendo aplicar sanções que vão desde a advertência até a aposentadoria compulsória.
A denúncia da Comissão de Direitos Humanos contra o juiz Ronei Bruno dos Santos Reis é um instrumento importante para que a conduta do magistrado seja investigada de forma isenta e, se for o caso, punida. A atuação do CNJ é fundamental para garantir a transparência e a responsabilidade no Poder Judiciário, combatendo a morosidade, a corrupção e o corporativismo.
A Importância da Atuação da Sociedade Civil
O caso de Raquel Kuibida também evidencia a importância da atuação da sociedade civil na defesa dos direitos humanos. A Comissão de Direitos Humanos, ao acolher a denúncia de Raquel e levá-la às instâncias superiores, cumpriu um papel fundamental na busca por justiça. A mobilização da sociedade civil, por meio de associações, ONGs e da imprensa, é essencial para dar visibilidade a casos como o de Raquel, pressionar as autoridades e evitar que a “lei do silêncio” prevaleça. A história de Raquel é um chamado à ação para todos os cidadãos que acreditam em um Estado de Direito justo e democrático.
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