Neurodivergencias

Mãe de Autista – Suicídio e Estresse Crônico

Suicídio, estresse crônico e depressão entre mães de crianças autistas. Uma crise silenciosa de saúde mental

Mãe de Autista – Em uma sociedade que romantiza a maternidade, existe uma realidade paralela, vivida por milhões de mulheres, que permanece em grande parte invisível e silenciosa. É a realidade das mães atípicas, especialmente aquelas que cuidam de filhos no espectro autista. Para muitas delas, a experiência da maternidade é definida não apenas pelo amor incondicional, mas também por um nível de estresse crônico e exaustão que desafia os limites da resiliência humana.

Em casos extremos, essa pressão incessante pode levar a um desfecho trágico: o suicídio. Este artigo busca lançar luz sobre essa crise de saúde mental, examinando as complexas interações entre os fatores psicológicos, psiquiátricos e neurobiológicos que colocam essas mães em uma posição de extrema vulnerabilidade.

O aumento da ideação suicida e do suicídio entre mães de crianças autistas não é um evento isolado, mas um sintoma de uma falha sistêmica em prover o suporte necessário para essas famílias. A discussão pública sobre o autismo frequentemente se concentra na criança, em suas terapias e em seu desenvolvimento, deixando em segundo plano a saúde e o bem-estar de quem assume a linha de frente do cuidado, na maioria das vezes, a mãe.

Compreender a profundidade de seu sofrimento exige uma análise que vá além da superfície, adentrando os mecanismos cerebrais alterados pelo estresse, os perfis psicológicos que emergem sob pressão e, nos casos mais extremos, os fatores que culminam em atos de violência desesperada.

Mãe de Autista – O Peso do Cuidado

Cuidar de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma tarefa que exige uma dedicação que transcende a parentalidade convencional. As demandas são constantes e, frequentemente, avassaladoras. Elas envolvem a navegação em um sistema de saúde complexo, a luta por direitos e acesso a terapias, a gestão de comportamentos desafiadores, o isolamento social e, muitas vezes, a sobrecarga financeira. Esse cenário de estresse contínuo cria um terreno fértil para o desenvolvimento de graves problemas de saúde mental.

Estudos científicos pintam um quadro alarmante. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) revelou que cerca de 50% de todas as mães de crianças com TEA apresentaram níveis elevados de sintomas depressivos ao longo de um período de 18 meses. Em comparação, as taxas para mães de crianças neurotípicas variaram entre 6% e 13,6% no mesmo período .

Outros estudos corroboram essa disparidade, indicando que aproximadamente 20% das mães de crianças com deficiências, incluindo uma parcela significativa com autismo, enfrentam problemas de saúde mental em um nível muito diferente de outras mães .

Essa alta prevalência de depressão não é apenas uma reação emocional à dificuldade; é uma resposta fisiológica a um estado de alerta permanente. O estresse crônico vivenciado por essas cuidadoras é um fator de risco primário. Uma descoberta particularmente reveladora do estudo da UCSF é a dinâmica da relação entre a depressão materna e os problemas de comportamento da criança.

Contrariando a crença de que a depressão da mãe poderia piorar o comportamento do filho, a pesquisa mostrou que a relação causal parece operar na direção oposta: são os problemas de comportamento desafiadores da criança que predizem um aumento nos níveis de depressão da mãe ao longo do tempo .

Essa constatação é de extrema importância, pois pode ajudar a mitigar o sentimento de culpa e autocrítica que muitas dessas mães carregam. A culpa é um componente tóxico nesse quadro, com pesquisas anteriores mostrando que ela prediz uma piora na depressão e uma menor satisfação com a vida . Saber que sua condição de saúde mental não é a causa primária dos desafios comportamentais do filho pode ser um pequeno, mas significativo, alívio em meio a um turbilhão de emoções negativas.

Além da depressão, as mães de crianças autistas enfrentam taxas elevadas de transtornos de ansiedade. A incerteza sobre o futuro da criança, a preocupação constante com comportamentos que podem resultar em lesões, e a responsabilidade de tomar decisões complexas sobre tratamentos criam um ambiente mental onde a ansiedade prospera. Muitas relatam sintomas de transtorno de ansiedade generalizada, ataques de pânico e até transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), especialmente após eventos traumáticos envolvendo comportamentos agressivos da criança.

O Perfil Psicológico e Psiquiátrico da Mãe de Autista

A pressão constante e a falta de suporte adequado moldam um perfil psicológico caracterizado por uma vulnerabilidade acentuada. A depressão, como já estabelecido, é a condição mais prevalente, mas ela raramente vem sozinha. Transtornos de ansiedade, sentimentos de desesperança, isolamento social e esgotamento físico e emocional (burnout) são companheiros frequentes.

O perfil psicológico dessas mães muitas vezes inclui dimensões que se reforçam mutuamente. A hipervigilância, um estado constante de alerta para as necessidades e os comportamentos da criança, impede o relaxamento e a recuperação mental. O isolamento social, resultante da dificuldade em participar de atividades sociais, seja pela falta de tempo, pela imprevisibilidade do comportamento da criança ou pelo julgamento de outros, leva a um profundo sentimento de solidão.

A baixa autoestima e a autocrítica, alimentadas pela internalização da crença de que não estão fazendo o suficiente ou de que são responsáveis pelas dificuldades do filho, corroem a autoconfiança. E, finalmente, a perda de identidade, onde muitas mulheres relatam que a identidade de “mãe de uma criança autista” suplanta todas as outras facetas de quem são, levando a uma perda de si mesmas.

Do ponto de vista psiquiátrico, o estresse crônico atua como um gatilho potente para transtornos mentais preexistentes ou como causa direta para o surgimento de novos. A associação entre cuidar de uma criança com TEA e o desenvolvimento de transtornos de humor e ansiedade é bem documentada na literatura científica. Além disso, uma área de pesquisa emergente tem focado na prevalência de neurodivergência nas próprias mães.

Estudos indicam que mulheres com diagnóstico de autismo ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) têm um risco significativamente maior de desenvolver transtornos de humor e ansiedade no período pós-parto . Existe uma sobreposição genética e de traços entre pais e filhos no espectro, o que significa que algumas dessas mães podem estar lidando com seus próprios desafios neurocognitivos não diagnosticados enquanto cuidam de seus filhos.

Essa dupla camada de dificuldade — ser neurodivergente e cuidar de uma criança neurodivergente — intensifica a luta. A mãe pode ter dificuldades com funções executivas, sensibilidades sensoriais ou regulação emocional, tornando o cuidado ainda mais desgastante e aumentando o risco de burnout e crises de saúde mental. Quando uma mãe autista ou com TDAH não diagnosticado precisa gerenciar os comportamentos desafiadores de uma criança autista, ela está operando com recursos mentais já comprometidos, levando a um estado de depleção que pode rapidamente se transformar em desespero.

A Neurociência do Estresse Crônico

Para compreender a profundidade do impacto na saúde mental dessas mães, é fundamental olhar para o que acontece no cérebro. O estresse crônico não é apenas um sentimento; é uma força biológica que remodela a arquitetura e o funcionamento cerebral. Três áreas principais são particularmente afetadas: o córtex pré-frontal, a amígdala e o hipocampo.

O córtex pré-frontal (CPF) é o centro de comando do cérebro, responsável por funções executivas como planejamento, tomada de decisão, regulação emocional e controle de impulsos. Sob estresse crônico, a atividade no CPF é suprimida. Altos níveis de hormônios do estresse, como o cortisol, prejudicam a comunicação entre os neurônios nessa região, levando a uma capacidade reduzida de pensar com clareza, resolver problemas e gerenciar emoções .

Para uma mãe que precisa tomar decisões complexas sobre terapias, lidar com crises comportamentais e gerenciar a logística diária, essa disfunção executiva é debilitante. Ela pode se encontrar incapaz de pensar em soluções criativas para problemas, tendendo a reagir impulsivamente em vez de responder com reflexão.

A amígdala, por outro lado, entra em hiperatividade. Esta estrutura, localizada no fundo do cérebro, é o nosso detector de ameaças. O estresse crônico a torna maior e mais reativa . Isso significa que a mãe passa a perceber ameaças com mais facilidade, mesmo em situações neutras. O choro da criança, uma ligação da escola ou uma mudança inesperada na rotina podem desencadear uma resposta de luta ou fuga desproporcional. Ela vive em um estado neurológico de ameaça constante, o que alimenta a ansiedade e a exaustão. Essa amígdala hiperativa também afeta a memória emocional, fazendo com que a mãe reviva constantemente momentos traumáticos ou estressantes, perpetuando um ciclo de ansiedade.

O hipocampo, uma região crucial para a formação de memórias e a regulação do humor, sofre um processo de retração. O estresse crônico inibe o nascimento de novos neurônios (neurogênese) e causa o encolhimento das dendrites, que são as ramificações que os neurônios usam para se comunicar . Isso não só afeta a memória — um fenômeno que muitas mães descrevem como “névoa cerebral” — mas também desregula o humor, contribuindo diretamente para a depressão. A redução de neurogenese no hipocampo está particularmente associada à depressão resistente ao tratamento, onde os antidepressivos convencionais podem não ser eficazes.

Essa tríade de disfunção é orquestrada por um sistema central de resposta ao estresse: o eixo Hipotálamo-Pituitária-Adrenal (HPA). Em uma situação de estresse agudo, o eixo HPA libera cortisol para nos ajudar a lidar com a ameaça e depois se desliga. Em cuidadores sob estresse crônico, esse eixo fica permanentemente ativado, inundando o corpo e o cérebro com cortisol.

Essa exposição prolongada leva à desregulação do eixo, resultando em padrões anormais de cortisol (muito alto ou, em fases de esgotamento, muito baixo) e resistência aos glicocorticoides, onde o corpo para de responder adequadamente ao cortisol, perpetuando um estado inflamatório crônico . Essa inflamação sistêmica está ligada não apenas a transtornos mentais, mas também a uma série de problemas de saúde física, como doenças cardiovasculares e autoimunes, explicando por que essas mães frequentemente relatam uma saúde geral mais precária.

A pesquisa também revelou que o cuidado de crianças com condições crônicas, como o autismo, apresenta desafios únicos para o eixo HPA. Diferentemente do cuidado de adultos com doenças crônicas, o cuidado pediátrico é menos normativo na sociedade, o que pode aumentar a percepção de estresse. Além disso, é um compromisso de vida inteira, com mudanças cumulativas em renda e responsabilidades domésticas que se estendem bem além da infância da criança.

Quando o Impensável Acontece: Filicídio-Suicídio

Nos cantos mais obscuros dessa crise de saúde mental, encontram-se os casos de filicídio (o ato de um pai ou mãe matar o próprio filho), muitas vezes seguidos pelo suicídio do perpetrador. Embora extremamente raros, esses eventos trágicos oferecem uma visão devastadora do ponto de ruptura e da falha completa dos sistemas de apoio.

Uma análise de notícias sobre homicídios de crianças com autismo revelou que o fator contribuinte mais citado, em 47,1% dos casos, era o estresse avassalador decorrente do cuidado . Os perpetradores mais comuns eram membros da família, principalmente os pais.

Outro estudo, focado em filicídio-suicídio envolvendo crianças com deficiências, descobriu que 54% das vítimas eram autistas e 81% eram do sexo masculino . Essa prevalência de vítimas do sexo masculino pode estar relacionada à maior visibilidade e gravidade dos comportamentos desafiadores em meninos autistas, bem como a possíveis diferenças na forma como meninos e meninas expressam seus sintomas.

Do ponto de vista do perfilamento criminal e da psiquiatria forense, o filicídio não é um ato monolítico. O psiquiatra Phillip Resnick classificou o filicídio em cinco categorias principais, das quais duas são particularmente relevantes neste contexto: o filicídio altruísta, onde o genitor mata a criança por amor, acreditando que a morte é do melhor interesse dela.

Isso pode ocorrer em um contexto de psicose, onde a mãe acredita que está salvando a criança de um destino terrível, ou em um contexto de suicídio, onde ela não suporta a ideia de deixar a criança para trás para sofrer em um mundo que ela percebe como cruel. E o filicídio por psicose aguda, onde o genitor está em um estado psicótico e mata a criança sem um motivo racional, muitas vezes em resposta a alucinações ou delírios.

Estudos sobre o perfil psiquiátrico de pais que cometem filicídio mostram uma alta prevalência de transtornos mentais. A depressão grave e a psicose são os diagnósticos mais frequentes em mães. Um estudo encontrou que 37% das mães filicidas estavam mentalmente doentes no momento do crime . Transtornos de personalidade, especialmente dos clusters B (instabilidade emocional, impulsividade) e C (ansiedade, evitação), também são observados, embora não haja um padrão único . Crianças em idade pré-escolar são mais frequentemente vítimas, e em muitos casos, o perpetrador mata mais de uma criança.

É crucial entender que, na grande maioria desses casos, o ato não surge do ódio, mas de um profundo desespero e de uma percepção distorcida da realidade, filtrada por uma doença mental grave não tratada ou subtratada. A mãe pode chegar a um ponto em que acredita genuinamente que a morte é a única saída para o sofrimento de seu filho e o seu próprio.

Isso não isenta a responsabilidade pelo ato, mas contextualiza-o como o ponto final de uma longa e dolorosa deterioração da saúde mental, exacerbada por um estresse insuportável e pela falta de uma rede de segurança eficaz. Em muitos casos, havia sinais de alerta anteriores — depressão não tratada, ideação suicida, ameaças de morte — que não foram adequadamente abordados pelo sistema de saúde.

A Intersecção entre Neurodivergência Materna e Risco de Crise

Uma dimensão particularmente importante e frequentemente negligenciada é a questão da neurodivergência nas próprias mães. Quando uma mãe autista ou com TDAH cuida de uma criança autista, a dinâmica muda significativamente. Essas mães podem enfrentar desafios adicionais na regulação emocional, na comunicação com profissionais de saúde, na organização de cuidados e no gerenciamento do próprio bem-estar enquanto lidam com as demandas do cuidado.

Pesquisas sobre a experiência perinatal de mulheres neurodivergentes revelaram que há uma lacuna significativa nos cuidados perinatais que abordam adequadamente as necessidades específicas dessas mulheres . Mulheres autistas ou com TDAH frequentemente relatam falta de compreensão de seus profissionais de saúde, dificuldade em comunicar suas necessidades e uma sensação de não serem ouvidas.

Quando essas mulheres também são mães de crianças autistas, essa falta de compreensão se estende ao sistema de apoio para a criança, criando uma situação onde tanto a mãe quanto a criança têm necessidades não atendidas.

Conscientização

A crise de suicídio entre mães de crianças autistas é um problema complexo, enraizado na biologia do estresse, na psicologia do desespero e em uma falha social em cuidar de seus cuidadores. A solução, portanto, não pode ser simplista. Ela exige uma abordagem integrada que reconheça a interconexão entre a saúde da criança e a saúde da mãe.

As estratégias de prevenção devem incluir triagem universal de saúde mental para mães de crianças recém-diagnosticadas com autismo, com triagem regular para depressão, ansiedade e risco de suicídio, e encaminhamento imediato para tratamento. Suporte psicológico acessível e especializado é necessário, oferecendo terapia com profissionais que entendam as nuances do cuidado atípico e da neurodiversidade.

Terapias baseadas em mindfulness, por exemplo, mostraram ser eficazes na redução do estresse parental . Serviços de respiro (respite care) que proveem cuidadores treinados para que as mães possam ter pausas regulares são fundamentais para a prevenção do burnout. Essas pausas não são um luxo, mas uma necessidade para a sobrevivência.

Apoio financeiro e logístico que reduza a carga financeira e burocrática, facilitando o acesso a terapias e benefícios, pode aliviar uma fonte significativa de estresse. E educação e combate ao estigma, onde a sociedade precisa ser educada sobre a realidade do cuidado de crianças com autismo para reduzir o julgamento e o isolamento que essas famílias enfrentam.

O silêncio que envolve o sofrimento dessas mães precisa ser quebrado. Suas histórias não são de fracasso, mas de uma luta travada em condições extraordinariamente difíceis. Reconhecer sua dor, validar suas experiências e construir sistemas de apoio robustos não é apenas um ato de compaixão, mas uma medida de saúde pública urgente.

Cada mãe que recebe ajuda é uma família que se fortalece e uma vida que pode ser salva. O investimento em suporte para cuidadores de crianças autistas não é apenas uma questão de bem-estar individual; é um investimento na saúde pública e na coesão social.

A Importância da Detecção Precoce de Sinais de Alerta

Compreender os sinais de alerta que precedem uma crise é fundamental para a prevenção. Mães em risco de suicídio frequentemente apresentam indicadores que, se reconhecidos e abordados, podem prevenir o pior. Esses sinais incluem isolamento progressivo, expressão de desesperança sobre o futuro, aumento no consumo de álcool ou drogas, negligência com a própria saúde, expressão de pensamentos de morte ou suicídio, e comportamento reckless ou autodestrutivo.

Profissionais de saúde, educadores e até mesmo familiares e amigos precisam estar treinados para reconhecer esses sinais. Uma mãe que de repente para de participar de grupos de apoio que frequentava, que começa a fazer comentários sobre “não ser uma boa mãe” ou que expressa que “seria melhor se não estivesse aqui” está enviando sinais de alerta.

Esses momentos são oportunidades críticas para intervenção. A pesquisa mostra que pessoas que expressam ideação suicida, quando abordadas com compaixão e oferecidas ajuda, frequentemente aceitam e se beneficiam do suporte.

O Papel da Comunidade e do Apoio Social

Além das intervenções clínicas, o papel da comunidade e do apoio social é inestimável. Mães de crianças autistas que têm uma rede de apoio forte — seja através de grupos de pais, amigos que entendem suas dificuldades, ou familiares que oferecem ajuda prática — apresentam taxas mais baixas de depressão e ideação suicida. O apoio social não apenas fornece ajuda prática, mas também valida a experiência da mãe, reduz o isolamento e oferece esperança.

Comunidades online também têm desempenhado um papel crescente, permitindo que mães de crianças autistas se conectem com outras que compartilham experiências similares. Esses espaços podem ser vitais para reduzir o isolamento, especialmente em áreas onde não há grupos de apoio presenciais. No entanto, é importante que esses espaços sejam moderados e que promovam saúde mental positiva, não apenas a comiseração.

Cuidando de Quem Cuida

A crise de suicídio entre mães de crianças autistas é real, urgente e prevenível. Ela não é resultado de fraqueza pessoal ou falta de amor pela criança, mas de uma convergência de fatores biológicos, psicológicos e sociais que criam uma situação insustentável. O estresse crônico do cuidado, exacerbado pela falta de suporte adequado, altera o cérebro de maneiras que aumentam o risco de depressão, ansiedade e, em casos extremos, suicídio.

Compreender essa realidade exige que a sociedade reconheça que cuidar de uma criança com autismo não é apenas uma responsabilidade pessoal, mas uma responsabilidade compartilhada. Governos, sistemas de saúde, comunidades e famílias têm um papel a desempenhar em prover o suporte necessário. Investir em saúde mental de cuidadores não é um luxo, mas uma necessidade.

Cada mãe que luta com a depressão e a ideação suicida merece ser ouvida, acreditada e ajudada. Cada vida salva é uma família preservada, uma criança que mantém sua mãe, e uma comunidade que se fortalece. O silêncio que envolve essa crise precisa ser quebrado, e a conversa sobre saúde mental de cuidadores precisa se tornar tão importante quanto a conversa sobre o autismo em si. Só então poderemos esperar reduzir o número de mães que chegam ao ponto de desespero absoluto, e construir um mundo onde ser mãe de uma criança autista, embora desafiador, seja apoiado, valorizado e sustentável.

Referências

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