24 – A Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência no Brasil
Violência escolar contra alunos neurodivergentes e com deficiência cresce no Brasil. Entenda dados, causas, impactos psicológicos, bullying, legislação e caminhos para uma educação inclusiva e segura.
Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência – O ambiente escolar, idealizado como um espaço seguro para aprendizado e desenvolvimento, tem apresentado um cenário complexo e preocupante no Brasil. Nos últimos anos, um aumento expressivo nos registros de violência tem gerado debates sobre a segurança e o bem-estar de estudantes e educadores. Dentro deste contexto, uma parcela da população estudantil se mostra particularmente vulnerável: os alunos com deficiência e neurodivergentes.
A compreensão das dinâmicas que afetam esses estudantes é fundamental para a construção de um sistema educacional verdadeiramente inclusivo e protetivo. Este artigo examina a situação da violência escolar no país, com um foco específico nas experiências de crianças e adolescentes que integram a neurodiversidade, analisando dados, contextos e as respostas institucionais a este fenômeno crescente.
A análise de dados oficiais revela uma tendência de crescimento nos incidentes violentos em instituições de ensino. A violência interpessoal, que inclui agressões físicas e verbais, intimidação sistemática (bullying) e outras formas de hostilidade, apresenta uma curva ascendente que demanda atenção. Este panorama geral serve como ponto de partida para aprofundar a questão em grupos específicos que, por suas características, enfrentam barreiras adicionais de aceitação e integração.
Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência
Antes de aprofundar a análise da violência escolar, é importante estabelecer uma compreensão clara dos termos e conceitos que permeiam esta discussão. A neurodiversidade refere-se à variação natural do funcionamento neurológico humano, reconhecendo que cérebros diferentes processam informações e interagem com o mundo de maneiras distintas.
Sob este conceito, condições como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a dislexia e outras variações neurológicas não são consideradas patologias a serem “curadas”, mas sim diferenças que merecem aceitação e acomodação.
A deficiência, por sua vez, é compreendida como uma condição que pode ser física, sensorial, intelectual ou psicossocial, resultante da interação entre características do indivíduo e barreiras presentes no ambiente. Assim, a deficiência não reside apenas na pessoa, mas na relação entre a pessoa e a sociedade.
Uma criança com mobilidade reduzida não é “deficiente” por causa de sua condição neuromotora, mas pela falta de acessibilidade nas escolas e espaços públicos. Esta perspectiva, conhecida como modelo social da deficiência, é fundamental para compreender por que alunos com deficiência e neurodivergentes enfrentam maiores riscos de violência nas escolas.
O Brasil tem avançado na legislação sobre inclusão educacional, com marcos como a Constituição Federal de 1988, que garante educação como direito de todos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996, que estabelece a educação especial como modalidade de educação escolar, e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) de 2015, que reafirma o direito à educação inclusiva em sistema educacional inclusivo em todos os níveis.
No entanto, a legislação por si só não garante a transformação das práticas escolares. A implementação efetiva dessas leis depende de mudanças culturais, investimentos em infraestrutura, capacitação profissional e, fundamentalmente, de uma mudança de mentalidade sobre o que significa incluir.

Panorama da Violência Escolar no Brasil
O Brasil tem testemunhado uma expansão nos índices de violência dentro de suas escolas, um fenômeno que abrange desde agressões interpessoais até manifestações mais extremas. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) indicam que o número de vítimas de violência interpessoal em ambiente escolar saltou de 3,7 mil em 2013 para 13,1 mil em 2023, um aumento que evidencia a intensificação dos conflitos [1]. Este crescimento é acompanhado por um aumento na prevalência do bullying, que, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), afetava 30,9% dos estudantes em 2009 e alcançou 40,5% em 2019 [1].
O aumento da violência não se restringe apenas às interações entre pares. Um aspecto alarmante é o crescimento da violência autoprovocada entre os estudantes. Entre 2013 e 2023, os casos desta natureza aumentaram 95 vezes, um indicador do profundo sofrimento psíquico que pode estar associado ao ambiente escolar [1]. No estado de São Paulo, por exemplo, os registros de suicídio entre estudantes passaram de 7 em 2019 para 67 em 2023, enquanto as tentativas de suicídio saltaram de 9 para 325 no mesmo período [1].

Estes números, embora representem um panorama geral, sugerem a existência de um ambiente que pode ser particularmente hostil para grupos mais vulneráveis. A análise destes dados é o primeiro passo para compreender as dinâmicas específicas que afetam alunos com deficiência e neurodivergentes, que frequentemente enfrentam preconceito e exclusão.
Fatores que Contribuem para a Vulnerabilidade de Alunos Neurodivergentes e com Deficiência
A vulnerabilidade de alunos neurodivergentes e com deficiência à violência escolar não é um fenômeno isolado ou aleatório. Existem fatores estruturais, sociais e institucionais que contribuem para que esses estudantes enfrentem maiores riscos. Em primeiro lugar, a falta de compreensão sobre a neurodiversidade e a deficiência ainda é prevalente na sociedade brasileira. Muitos educadores, pais e colegas não recebem informação adequada sobre as características e necessidades de alunos neurodivergentes, levando a mal-entendidos e estereotipos prejudiciais.
Além disso, a falta de preparo das escolas para acolher esses alunos cria um ambiente de exclusão que facilita a violência. Quando uma criança com autismo não consegue acompanhar o ritmo da aula, quando um aluno com TDAH é constantemente repreendido por sua inquietude, ou quando uma criança surda não tem acesso a intérprete, essas barreiras não apenas prejudicam a aprendizagem, mas também aumentam a frustration e a suscetibilidade à violência. A exclusão acadêmica frequentemente precede a exclusão social, criando um círculo vicioso onde o aluno se sente isolado, rejeitado e vulnerável.
Outro fator importante é a dificuldade de comunicação. Muitos alunos com deficiência intelectual ou com autismo severo podem ter dificuldades para expressar-se verbalmente ou para relatar situações de abuso. Isso os torna alvos preferenciais para agressores, que sabem que dificilmente serão denunciados. A falta de protocolos de escuta e acolhimento para esses alunos agrava ainda mais a situação.
A estigmatização também desempenha um papel crucial. Alunos neurodivergentes e com deficiência frequentemente são vistos como “diferentes”, “estranhos” ou “inferiores”, o que os coloca em posição de vulnerabilidade em uma dinâmica social onde a conformidade é valorizada. Esse preconceito, muitas vezes inconsciente, permeia as relações entre alunos e entre alunos e professores, criando um ambiente onde a violência contra esses grupos pode ser tolerada ou minimizada.
A Vulnerabilidade de Alunos Neurodivergentes ao Bullying
Alunos neurodivergentes, em especial aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA), constituem um dos grupos mais suscetíveis à vitimização no ambiente escolar. Além do TEA, outras condições neurodivergentes como o TDAH também apresentam índices elevados de envolvimento em situações de bullying. O TDAH, caracterizado por dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade, frequentemente resulta em comportamentos que são mal interpretados como falta de disciplina ou desrespeito, levando a punições escolares e exclusão social. Estudantes com TDAH podem ser vistos como “problemáticos” ou “desruptivos”, o que os torna alvos de crítica constante de professores e colegas, criando um ciclo de rejeição e isolamento.
A dislexia e outras dificuldades específicas de aprendizagem também colocam alunos em situação de vulnerabilidade. Quando um estudante com dislexia apresenta dificuldades na leitura e escrita, pode ser rotulado como “preguiçoso” ou “menos inteligente”, levando ao bullying por parte de colegas. A falta de compreensão sobre essas condições por parte de educadores e familiares agrava ainda mais a situação, pois o aluno pode ser punido por algo que está além de seu controle, em vez de receber o apoio e as acomodações necessárias.
Especificamente no caso do autismo, a dificuldade de interação social, a comunicação atípica e os comportamentos repetitivos, características comuns nesta condição, podem ser mal interpretados por colegas, tornando-os alvos fáceis de intimidação. Uma pesquisa canadense revelou um dado alarmante: 77% das crianças com autismo relatam ter sofrido bullying na escola, um número que expõe a dimensão do problema [2].
No Brasil, a situação não é diferente. Um estudo conduzido por Falcão et al. (2021) aprofundou a análise do envolvimento de alunos com TEA em situações de bullying, coletando informações de múltiplas fontes: os próprios alunos, seus pais e professores [3]. Os resultados mostram uma complexa teia de percepções e realidades. Enquanto 63% dos alunos com autismo se declararam vítimas de bullying, apenas 52,4% dos pais tinham conhecimento do envolvimento de seus filhos em tais situações. Dentre os pais que sabiam, 76% identificaram seus filhos como vítimas, 21% como agressores e vítimas simultaneamente, e 3% apenas como agressores [3].

Essa discrepância entre a percepção de alunos e pais sugere que muitas vezes o sofrimento vivenciado na escola não é comunicado ou percebido em casa. O estudo também aponta que 47,6% dos pais não sabiam se seus filhos estavam envolvidos em bullying, o que indica uma barreira de comunicação e a necessidade de maior diálogo entre família e escola [3]. A pesquisa ressalta a urgência de programas educacionais que envolvam toda a comunidade escolar para prevenir o bullying e promover uma inclusão efetiva, que vá além da simples presença física do aluno na sala de aula.
Desafios Adicionais para Alunos com Deficiência
Além dos alunos neurodivergentes, estudantes com deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais também enfrentam um risco acentuado de violência no ambiente escolar. A vulnerabilidade pode ser exacerbada pela dependência de cuidadores, pela dificuldade de comunicação para relatar abusos ou pela própria discriminação social que ainda permeia a percepção sobre a deficiência. Pesquisas indicam que crianças com deficiência física, por exemplo, têm maior probabilidade de sofrer vitimização sexual em comparação com seus pares sem deficiência [4].
A legislação brasileira tem avançado na garantia dos direitos de pessoas com deficiência, incluindo o direito a uma educação inclusiva. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva são marcos importantes. No entanto, a implementação dessas políticas ainda encontra obstáculos significativos. A falta de preparo de muitas escolas para acolher adequadamente esses alunos, a ausência de profissionais de apoio em número suficiente e a persistência de atitudes capacitistas contribuem para um ambiente onde a violência pode ocorrer com maior frequência e impunidade.
O crescimento no número de matrículas de alunos com deficiência na rede regular de ensino, que aumentou 219,4% entre 2013 e 2023, torna ainda mais urgente a necessidade de criar ambientes escolares seguros e acolhedores [5]. A simples presença desses alunos na escola não garante a inclusão. É preciso que a comunidade escolar esteja preparada para lidar com a diversidade, combater o preconceito e proteger ativamente os estudantes mais vulneráveis. A aprovação de projetos de lei que asseguram atenção especial a crianças com deficiência no combate à violência nas escolas é um passo importante, mas a sua efetividade dependerá da implementação de ações concretas no cotidiano escolar [6].

O Papel da Família, da Comunidade e da Formação de Professores
A combate à violência contra alunos neurodivergentes e com deficiência não pode ser responsabilidade exclusiva da escola. A família e a comunidade desempenham papéis fundamentais neste processo. Conforme evidenciado pelo estudo de Falcão et al., muitos pais não estão cientes das dificuldades que seus filhos enfrentam na escola. Isso pode ocorrer porque os alunos não relatam os incidentes aos pais, porque os pais não perguntam adequadamente ou porque a comunicação entre família e escola é insuficiente. Fortalecer essa comunicação é essencial para identificar precocemente situações de violência e para trabalhar em conjunto na sua resolução.
A formação de professores é outro pilar fundamental. Educadores que compreendem as características da neurodiversidade e da deficiência estão melhor equipados para criar ambientes inclusivos, para reconhecer sinais de violência e para intervir de forma apropriada. Infelizmente, muitos cursos de formação de professores ainda dedicam pouco tempo à educação inclusiva e à compreensão da neurodiversidade. Investir em formação continuada é essencial para transformar a realidade das escolas brasileiras.
A comunidade escolar como um todo, incluindo funcionários, segurança e demais profissionais, também precisa estar preparada. Protocolos claros de denúncia e investigação de casos de violência, com especial atenção às dificuldades de comunicação de alunos neurodivergentes, são essenciais. Além disso, é fundamental que a escola trabalhe na promoção de uma cultura de respeito à diversidade, onde a neurodiversidade e a deficiência sejam compreendidas não como problemas a serem resolvidos, mas como parte da riqueza da experiência humana.
A Resposta Institucional e a Necessidade de Ação
Diante do cenário de crescente violência, a resposta das instituições de ensino e do poder público é um fator determinante para a proteção de alunos neurodivergentes e com deficiência. No entanto, o que se observa em muitos casos é uma lacuna entre a legislação e a prática. A existência de leis que garantem a inclusão não se traduz automaticamente em ambientes escolares seguros e preparados. Um dos principais desafios é a falta de protocolos claros e eficazes para lidar com crises e situações de violência, especialmente aquelas envolvendo alunos com necessidades específicas.
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 900 mil estudantes autistas matriculados em salas de aula comuns, um número que reflete os esforços de inclusão [7]. Contudo, muitas escolas ainda não possuem procedimentos seguros para manejar episódios de agressividade ou crises comportamentais, deixando professores e alunos desamparados. A ausência de formação adequada para os docentes sobre as especificidades da neurodiversidade e da deficiência agrava o problema, dificultando a identificação precoce de sinais de sofrimento e a mediação de conflitos de forma construtiva.

A percepção da violência pela gestão escolar também se mostra um ponto crítico. Uma pesquisa do Inep revelou que 40% das escolas brasileiras afirmam não registrar nenhum tipo de incidente violento, um dado que contrasta com os relatos de alunos e os indicadores de saúde mental [1]. Esse descompasso pode indicar uma subnotificação dos casos ou uma dificuldade em reconhecer certas atitudes como violentas, especialmente quando se manifestam de forma velada, como a exclusão social e o assédio moral. A banalização de conflitos, muitas vezes rotulados genericamente como “brincadeiras de criança”, impede a abordagem das causas profundas da violência, como o racismo, a misoginia e o capacitismo.
Estratégias de Prevenção e Intervenção
A prevenção da violência contra alunos neurodivergentes e com deficiência requer uma abordagem multifacetada que combine políticas públicas, práticas escolares e mudanças culturais. Em primeiro lugar, é essencial que as escolas desenvolvam e implementem políticas de inclusão que vão além da simples matrícula. Essas políticas devem incluir avaliações de acessibilidade, planos de acomodações razoáveis e estratégias de apoio individualizado para cada aluno.
Programa de sensibilização e educação sobre neurodiversidade e deficiência para toda a comunidade escolar são fundamentais. Esses programas devem ir além de palestras pontuais, envolvendo atividades práticas que promovam a empatia e a compreensão. Alunos neurodivergentes e com deficiência podem ser agentes importantes nesse processo, compartilhando suas experiências e perspectivas com seus colegas.
A criação de espaços seguros de denúncia e acolhimento é outra estratégia crucial. Esses espaços devem ser acessíveis, considerando as diferentes formas de comunicação, e devem contar com profissionais treinados para lidar com situações de violência. É importante que os alunos saibam que serão ouvidos e que suas denúncias serão levadas a sério.
Intervenes precoces são também essenciais. Quando sinais de violência ou exclusão são identificados, a escola deve agir rapidamente, envolvendo alunos, pais, professores e profissionais de saúde mental. O objetivo não deve ser apenas punir o agressor, mas compreender as causas do comportamento agressivo e trabalhar para mudar a dinâmica relacional.
Finalmente, é fundamental que as escolas trabalhem em parceria com famílias, serviços de saúde e organizações da sociedade civil para criar uma rede de apoio integrada. Ninguém pode resolver sozinho o problema da violência escolar. É necessário um esforço coletivo, coordenado e sustentado.
Por uma Escola Verdadeiramente Inclusiva e Segura
A análise dos dados e das pesquisas sobre violência escolar no Brasil revela um quadro complexo, onde o aumento geral da agressividade se cruza com as vulnerabilidades específicas de alunos com deficiência e neurodivergentes. A crescente presença desses estudantes nas escolas regulares é uma conquista importante, mas que precisa ser acompanhada de políticas e práticas que garantam não apenas o acesso, mas a permanência com segurança, bem-estar e pleno desenvolvimento. A alta prevalência de bullying entre alunos com autismo e a maior exposição de crianças com deficiência a diversas formas de violência são indicativos de que a inclusão ainda é um processo em construção.
A superação desses desafios exige uma abordagem sistêmica e integrada, que envolva toda a comunidade escolar. É fundamental investir na formação continuada de professores e demais profissionais da educação, capacitando-os para identificar e intervir adequadamente em situações de violência e para promover uma cultura de respeito à diversidade. A criação de protocolos de atuação claros, o fortalecimento do diálogo entre escola e família e o desenvolvimento de programas de convivência que abordem diretamente as causas do preconceito são ações indispensáveis.
A escola tem um papel social insubstituível na formação de cidadãos e na construção de uma sociedade mais justa. Para que ela possa cumprir essa função, é imperativo que seja um ambiente onde todos os alunos, sem exceção, se sintam seguros, acolhidos e valorizados. O combate à violência contra estudantes com deficiência e neurodivergentes não é apenas uma questão de segurança pública ou de política educacional, mas um compromisso ético com a dignidade e os direitos humanos de cada criança e adolescente.
Os dados apresentados neste artigo demonstram que o problema é urgente e não pode ser ignorado. A crescente taxa de violência escolar, combinada com a vulnerabilidade particular de alunos neurodivergentes e com deficiência, cria uma situação que exige ação imediata em múltiplos níveis. Governos, secretarias de educação, escolas, famílias e a sociedade como um todo precisam se mobilizar para transformar a realidade das escolas brasileiras.
A inclusão educacional verdadeira não é um processo que se completa com a matrícula de um aluno em uma sala de aula. É um processo contínuo de adaptação, aprendizado e mudança. Requer que as escolas se transformem para acolher a diversidade, que os educadores se capacitem continuamente, que as famílias se engajem ativamente e que a sociedade reconheça o valor e a contribuição de pessoas neurodivergentes e com deficiência. Quando esses elementos se alinham, é possível criar ambientes escolares onde a violência diminui, onde a aprendizagem floresce e onde cada aluno pode desenvolver seu potencial pleno.
O futuro da educação no Brasil depende de escolhas que fazemos hoje. Escolher investir em inclusão, em formação de educadores, em protocolos de proteção e em uma cultura de respeito à diversidade é escolher um Brasil mais justo, mais humano e mais seguro para todas as crianças.
Especificidades de Diferentes Tipos de Deficiência no Contexto Escolar
Cada tipo de deficiência apresenta desafios únicos no ambiente escolar que aumentam a vulnerabilidade a situações de violência. A deficiência visual, por exemplo, pode resultar em isolamento social quando a escola não oferece recursos de acessibilidade adequados, como livros em Braille ou tecnologias assistivas. Estudantes cegos ou com baixa visão podem ser excluídos de atividades escolares comuns, criando um sentimento de inadequação e vulnerabilidade que facilita o bullying.
Alunos surdos ou com perda auditiva enfrentam barreiras de comunicação que dificultam sua participação plena na vida escolar. Sem intérprete de Libras ou outras formas de comunicação alternativa, esses alunos podem ser marginalizados, levando a bullying e exclusão. A falta de acesso à informação em sala de aula, combinada com a dificuldade de comunicação com colegas, cria um ambiente onde a violência pode ocorrer sem que o aluno consiga se comunicar adequadamente com adultos que possam ajudá-lo.
Estudantes com deficiência intelectual enfrentam desafios particulares. Frequentemente, são segregados em salas específicas, o que reduz suas oportunidades de interação com colegas sem deficiência e perpetua a estigmatização. Quando integrados em salas de aula regulares, podem ser alvo de zombaria por sua dificuldade de aprendizagem ou comportamento diferente. A falta de apoio adequado em sala de aula agrava a situação, deixando esses alunos ainda mais vulneráveis.
Alunos com deficiência motora, como paralisia cerebral ou distrofias musculares, enfrentam barreiras físicas nas escolas, além de preconceito. A falta de acessibilidade arquitetônica, como rampas e elevadores, os exclui de espaços escolares, enquanto atitudes capacitistas de colegas e educadores perpetuam a discriminação. Quando um aluno em cadeira de rodas não consegue acessar a biblioteca ou o pátio da escola, não apenas sua educação é prejudicada, mas sua sensação de pertencimento e segurança também é comprometida.
Impactos Psicológicos e Emocionais da Violência Escolar
A violência escolar não deixa apenas marcas visíveis. Os impactos psicológicos e emocionais em alunos neurodivergentes e com deficiência podem ser profundos e duradouros. Estudantes que sofrem bullying frequentemente desenvolvem ansiedade, depressão e baixa autoestima. Para alunos neurodivergentes, que já podem enfrentar dificuldades sociais inerentes à sua condição, a experiência de bullying pode intensificar esses desafios, levando a isolamento ainda maior e rejeição social.
O impacto na saúde mental é particularmente preocupante. Como evidenciado pelos dados de São Paulo, o número de estudantes com sofrimento psíquico aumentou dramaticamente entre 2019 e 2023. Para alunos neurodivergentes e com deficiência, que já enfrentam pressões adicionais para se conformar aos padrões escolares, a adição de violência e exclusão pode ser devastadora. Alguns estudantes desenvolvem fobia escolar, recusando-se a ir à escola devido ao medo de sofrer mais abusos. Outros podem desenvolver comportamentos de automutilação ou pensamentos suicidas como forma de lidar com o sofrimento.
A violência escolar também afeta o desempenho acadêmico. Quando um aluno está preocupado com sua segurança ou sofrendo emocionalmente, sua capacidade de concentração e aprendizagem é severamente comprometida. Isso cria um ciclo vicioso onde o aluno com dificuldades acadêmicas é mais propenso a sofrer bullying, o que piora seu desempenho, levando a mais exclusão e violência.
Além disso, a experiência de violência na escola pode ter efeitos duradouros na vida adulta. Alunos que sofreram bullying na infância e adolescência frequentemente apresentam dificuldades em relacionamentos, confiança interpessoal e integração social na vida adulta. Para alunos neurodivergentes e com deficiência, que já enfrentam barreiras no mercado de trabalho e na sociedade em geral, essas experiências negativas na escola podem comprometer ainda mais suas oportunidades futuras.
Referências
[1] Queiroz, C. (2025). Violência escolar aumenta nos últimos 10 anos no Brasil. Revista Pesquisa Fapesp. Recuperado de https://revistapesquisa.fapesp.br/violencia-escolar-aumenta-nos-ultimos-10-anos-no-brasil/ [2] Canal Autismo. (2023). 77% dos autistas sofrem bullying na escola, diz estudo canadense. Recuperado de https://www.canalautismo.com.br/artigos/77-dos-autistas-sofrem-bulliyng-na-escola-diz-estudo-canadense/ [3] Falcão, C. S. N., Stelko-Pereira, A. C., & Alves, D. L. G. (2021). Envolvimento de alunos com TEA em situações de bullying de acordo com múltiplos informantes. Educação e Pesquisa, 47, e217359. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202147217359 [4] Casagrande, R. C., Silva, L. R. G., & Marcondes, P. C. (2025). Indicadores e registros de violências contra crianças e adolescentes com deficiência: panorama do estado do Paraná de 2007 a 2024. Práxis Educativa, 20, e24436. https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.20.24436.031 [5] Bett Brasil. (2025). Neurodiversidade na escola: desafios e caminhos para uma educação com equidade. Recuperado de https://brasil.bettshow.com/bett-blog/neurodiversidade-na-escola-desafios-e-caminhos-para-uma-educacao-com-equidade [6] Câmara dos Deputados. (2025). Câmara aprova atenção especial a crianças com deficiência no combate à violência nas escolas. Recuperado de https://www.camara.leg.br/noticias/1222090-camara-aprova-atencao-especial-a-criancas-com-deficiencia-no-combate-a-violencia-nas-escolas/ [7] G1. (2025). Mesmo com 900 mil autistas em salas comuns, escolas não têm protocolo seguro para lidar com episódios de agressividade. Recuperado de https://g1.globo.com/educacao/noticia/2025/05/14/mesmo-com-900-mil-autistas-em-salas-comuns-escolas-nao-tem-protocolo-seguro-para-lidar-com-episodios-de-agressividade.ghtmlViolência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência, Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência, Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência, Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência, Violência Escolar Contra Alunos Neurodivergentes e com Deficiência
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