23 – Virtual Droid 2 – Playground Digital Para Aliciadores
Uma investigação revela como o Virtual Droid 2, um dos metaversos mobile mais populares entre crianças e adolescentes, se tornou um ambiente de alto risco com grooming, assédio, falta de moderação e falhas graves de segurança. Especialistas explicam como predadores agem dentro do jogo e como proteger crianças da exploração digital em plataformas sociais interativas
Virtual Droid 2 – Em uma cena cada vez mais comum nos lares brasileiros, uma criança, com o rosto iluminado pela tela de um smartphone, navega por um universo vibrante e colorido. Ela personaliza seu avatar, explora cenários digitais e conversa com novos amigos de todas as partes do mundo. Para muitos pais, a cena representa apenas uma forma moderna de entretenimento, um jogo inofensivo chamado Virtual Droid 2.
Com mais de cinco milhões de downloads apenas na plataforma Android [1], o aplicativo se consolidou como um dos principais metaversos de bolso, prometendo um espaço para “inspirar a criatividade e trazer alegria à vida”. Contudo, por trás da fachada de diversão e socialização, especialistas em segurança digital e um coro crescente de pais e usuários revelam uma realidade alarmante, um ambiente fértil para perigos que a maioria das famílias sequer imagina.
O Virtual Droid 2 e outras plataformas se tornaram o esconderijo perfeito para predadores, um palco para o assédio e uma porta de entrada para a exploração infantil. A promessa de um “playground” virtual se desfaz rapidamente quando se examina a arquitetura de seu design: um ambiente com moderação falha, comunicação irrestrita e uma cultura que normaliza interações de risco. Para os pais que acreditam que seus filhos estão apenas jogando, a verdade é que eles podem estar em um espaço sem muros, expostos a estranhos com intenções que vão muito além de uma simples partida online.
O Direto Aos Fatos conversou com a pediatra e advogada Georgia Gentile Beluso sobre os perigos das redes sociais sem suervisão dos pais. O que acontece quando a brincadeira deixa de ser segura? E quem é o responsável por proteger as crianças quando o perigo se disfarça de entretenimento?
O que é o Virtual Droid 2?
Lançado pelo desenvolvedor Castry, o Virtual Droid 2 se apresenta como a “próxima sequência” de um universo social online. Sua premissa é simples e cativante: oferecer aos usuários um portal para um metaverso interativo. Ao baixar o aplicativo, o jogador é convidado a criar um avatar tridimensional, com uma vasta gama de opções de personalização, desde roupas e penteados até acessórios que podem ser adquiridos. Uma vez criado o personagem, o usuário pode adentrar diversos “mapas” ou mundos virtuais — como praias, cidades e cinemas — onde o principal objetivo é a interação social.
A principal mecânica do jogo é a comunicação. Diferente de muitos jogos mobile que se limitam a emotes ou frases prontas, o Virtual Droid 2 oferece um sistema de chat de voz por proximidade, permitindo que os jogadores conversem em tempo real com qualquer pessoa cujo avatar esteja próximo ao seu. Complementarmente, há também o chat de texto.
A descrição oficial na Google Play Store destaca essa característica como um de seus pilares: “Conecte-se com uma comunidade global. Conheça pessoas de todo o mundo e converse usando mensagens de texto e voz” [1].
Além da socialização, o jogo inclui minigames, a possibilidade de construir e decorar uma casa virtual e eventos mensais com recompensas exclusivas. Essa combinação de personalização, exploração e interação livre o tornou extremamente popular, especialmente entre o público jovem, que o descreve como uma versão de “VR Chat para celular”. A classificação etária oficial do aplicativo é de 12 anos ou mais, uma designação que, como veremos, se mostra perigosamente inadequada diante dos riscos documentados em seu ambiente.
O apelo é inegável. Em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, a promessa de fazer amigos e viver uma “segunda vida” virtual é atraente. Contudo, a mesma liberdade que atrai milhões de usuários é a que abre as portas para os problemas mais graves. A falta de mecanismos robustos de verificação de idade e, principalmente, a ausência de uma moderação ativa e eficaz, transformam este popular metaverso em um território de alto risco para seu público mais vulnerável.
O Campo Minado da Interação: Por que
Especialistas e Usuários Soam o Alarme
A fachada colorida do Virtual Droid 2 começa a ruir quando se analisa a experiência real de seus usuários. As lojas de aplicativos, como a Google Play Store, estão repletas de avaliações que pintam um quadro preocupante. Embora muitos elogiem os aspectos sociais, uma crítica recorrente e grave se destaca: a completa falta de segurança e moderação. Um usuário, em uma avaliação postada em outubro de 2025, resume o sentimento geral de forma contundente:
“Este jogo tem problemas sérios que precisam de atenção urgente. Há pouca ou nenhuma moderação de segurança, mesmo que muitos menores joguem. É frequentemente usado para e-dating [namoro online] e interações inapropriadas, o que é altamente preocupante. […] Os desenvolvedores devem priorizar moderação, desempenho e melhorias gerais de qualidade” [1].
Este comentário não é um caso isolado. Um resumo de mais de 165 mil avaliações compilado pela plataforma Chrome-Stats confirma que a “falta de moderação e preocupações de segurança para menores” é uma das principais e mais persistentes reclamações dos usuários [2]. O problema central reside no chat de voz aberto e anônimo.
Sem filtros eficazes ou moderadores presentes nas salas, qualquer usuário, de qualquer idade e com qualquer intenção, pode abordar uma criança. Isso cria um ambiente onde a exposição a linguagem adulta, assédio verbal, bullying e, no pior dos cenários, a predadores sexuais, não é apenas uma possibilidade, mas uma ocorrência frequente.
A pediatra e advogada Georgia Gentile Beluso explica que o aumento alarmante dos casos de abuso sexual infantil é conseqência da vulnerabilidade infantil em ambiente virtual. Segunda a Dra. Georgia, “os predadores digitais hoje entram na vida das crianças pela tela do celular, com acesso contínuo e silencioso. As redes sociais oferecem anonimato, velocidade e contato direto — fatores que potencializam o abuso sexual infantil”, explica Gentile. “O abuso não começou na internet, mas foi exponencialmente multiplicado por ela, porque predadores agora alcançam qualquer criança, a qualquer hora, sem barreiras físicas ou sociais.”.
O Virtual Droid 2 oferece todas as ferramentas para que essa tática seja executada com perfeição. O predador pode criar um avatar jovem e amigável, abordar a criança em um dos mundos virtuais e iniciar uma conversa. A partir daí, o processo de manipulação começa. A Dra. Olivia Colombino, em um alerta veemente publicado em suas redes sociais, detalhou as práticas de grooming que ocorrem especificamente dentro do jogo:
- Criação de salas privadas sem supervisão: O agressor convida a criança para um espaço isolado, longe de outros jogadores.
– - Convites para outras plataformas: A conversa é rapidamente movida para aplicativos como WhatsApp ou Discord, onde o controle e o monitoramento dos pais são ainda mais difíceis.
– - Pedidos de fotos e informações: O predador começa pedindo fotos do avatar e, gradualmente, solicita fotos da própria criança, muitas vezes sob o pretexto de uma “brincadeira” ou “missão secreta”.
– - Manipulação emocional e ameaças: Uma vez estabelecido o vínculo de confiança, o agressor utiliza manipulação e ameaças para garantir o silêncio e a cooperação da vítima [4].
O termo técnico para a tática mais perigosa empregada nesses ambientes é grooming digital. Trata-se do processo pelo qual um adulto estabelece uma conexão emocional com uma criança com o objetivo de abuso e exploração sexual.
A psicóloga Cristiane Pereira Neves, em uma análise sobre o tema, explica o método: “Geralmente, o aliciador usa um perfil falso e se apresenta com as características que vão agradar às vítimas. O criminoso faz contatos diários até ganhar a confiança da criança ou adolescente. Este processo pode durar semanas ou meses” [3].
O Virtual Droid 2 oferece todas as ferramentas para que essa tática seja executada com perfeição. O predador pode criar um avatar jovem e amigável, abordar a criança em um dos mundos virtuais e iniciar uma conversa. A partir daí, o processo de manipulação começa. A Dra. Olivia Colombino, em um alerta veemente publicado em suas redes sociais, detalhou as práticas de grooming que ocorrem especificamente dentro do jogo: criação de salas privadas sem supervisão, convites para outras plataformas como WhatsApp ou Discord, pedidos de fotos e informações pessoais, e o uso de manipulação emocional e ameaças para garantir o silêncio da vítima [4].
O design do jogo não apenas permite, mas facilita esse processo. A própria política de dados do desenvolvedor, Castry, revela falhas críticas. Embora afirme não compartilhar dados com terceiros, a empresa admite que coleta informações de localização e pessoais, e que “os dados não são criptografados” [1]. Essa falta de criptografia torna as informações dos usuários, incluindo crianças, vulneráveis a vazamentos e acessos indevidos, adicionando uma camada extra de risco.
Além do Droid: Outras Plataformas Perigosas
O Virtual Droid 2 está longe de ser um caso isolado. As falhas estruturais que o tornam perigoso — comunicação aberta, conteúdo gerado pelo usuário sem curadoria e moderação insuficiente — são características presentes em muitas outras plataformas extremamente populares entre crianças e adolescentes. O problema não é um jogo específico, mas um modelo de design que prioriza o engajamento irrestrito em detrimento da segurança.
Roblox é, talvez, o exemplo mais proeminente. Com dezenas de milhões de usuários diários, a plataforma é um universo de “experiências” criadas pelos próprios jogadores. Uma investigação conduzida pela consultoria britânica Revealing Reality e divulgada pelo jornal The Guardian expôs falhas sistêmicas graves.
Os aliaciadores, de acordo com a Dra. Georgia, usam estratégias de engenharia emocional para cooptar as crianças. Entre eles estão: “elogios contínuos, vínculo pseudoafetivo, criação de segredos, validação e manipulação”, explica. A pediatra ainda alerta para a busca por padrões: “Eles observam padrões emocionais da criança — horários online, frequência de postagem, tipo de conteúdo e fragilidades — e agem de forma calculada. Sim, eles leem vulnerabilidades com precisão e as exploram intencionalmente.”
Pesquisadores criando perfis de crianças conseguiram acessar facilmente cenários com conteúdo sexualizado, incluindo representações de atos sexuais e fetiches. A investigação também documentou a facilidade com que um avatar adulto pôde solicitar informações de contato de um perfil que simulava uma criança de cinco anos, contornando os filtros de texto da plataforma [7]. Apesar dos investimentos declarados em segurança, especialistas concluem que os mecanismos de proteção são insuficientes para eliminar os perigos.
Na mesma linha de mundos virtuais sociais, jogos como Avakin Life e Rec Room replicam os mesmos riscos. Ambos oferecem ambientes 3D para socialização, com chats de voz e texto abertos e a possibilidade de criar espaços privados. Relatos de usuários e alertas de especialistas apontam que essas plataformas também são usadas para interações inapropriadas e e-dating, com a mesma ausência de moderação eficaz que assola o Virtual Droid 2. O anonimato proporcionado pelos avatares encoraja comportamentos que seriam socialmente inaceitáveis em espaços físicos, expondo crianças a assédio e conversas de teor adulto.
Mesmo jogos que não têm a socialização como foco principal se tornam vetores de risco devido às suas funcionalidades de comunicação. Fortnite, Free Fire e Minecraft, três dos maiores fenômenos da indústria de games, possuem chats de voz e texto que, em servidores públicos, conectam crianças a um universo de jogadores anônimos.
O FBI e outras agências de segurança já emitiram alertas informando que predadores usam ativamente essas plataformas para identificar e contatar vítimas em potencial [8]. A popularidade massiva desses jogos os transforma em um campo de caça fértil para agressores.
A plataforma Discord, embora não seja um jogo, é o sistema nervoso central da comunidade gamer. Servidores de Discord são criados para quase todos os jogos e comunidades online, funcionando como salas de bate-papo persistentes. A moderação depende inteiramente dos administradores de cada servidor, que são voluntários e, na maioria das vezes, não têm treinamento para lidar com questões de segurança.
Em servidores públicos ou mal administrados, crianças podem ser expostas a conteúdo violento, pornográfico e discursos de ódio. Além disso, a funcionalidade de mensagens diretas permite que qualquer membro de um servidor contate uma criança em particular, criando um canal privado e invisível para o aliciamento.
O denominador comum entre todas essas plataformas é a porta aberta para a comunicação não moderada entre estranhos. A popularidade de um jogo ou aplicativo não é, de forma alguma, um selo de segurança. Para os pais, isso significa que a vigilância não pode se limitar a um único nome; é preciso compreender a natureza dos riscos e avaliar qualquer plataforma que permita interação social livre com o mesmo olhar crítico.
Ao ser questionada sobre os principais riscos escondidos nas plataformas que normalmente os pais desconhecem, a pediatra explica que os principais riscos são “invisíveis aos pais” como: “algoritmos que levam rapidamente a conteúdos impróprios, chats ocultos, convites para grupos privados, engenharia emocional feita por desconhecidos, geolocalização acionada automaticamente e a coleta de dados que permite leitura psicológica da criança”. Georgia ainda explica que outro risco crescente é a “possibilidade de captura de imagens para deepfakes sexualizados, sem que os pais sequer imaginem que isso possa acontecer.”
Virtual Droid 2 como Sintoma de uma Crise Maior
Os perigos encontrados no Virtual Droid 2 não são um fenômeno isolado, mas um reflexo de uma crise de segurança digital que afeta crianças e adolescentes em todo o Brasil. Os números oficiais pintam um cenário alarmante. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a exposição de crianças e adolescentes a riscos na internet já ocupa a quinta posição no ranking de denúncias recebidas pelo Disque 100, o canal nacional para violações de direitos humanos [5].
O Brasil se tornou um terreno fértil para crimes cibernéticos. Um relatório da Norton Cyber Security de 2017 já posicionava o país como o segundo no mundo com o maior número de casos, afetando 62 milhões de pessoas e gerando prejuízos de 22 bilhões de dólares [5]. A situação se agravou nos anos seguintes. A organização SaferNet Brasil, que monitora crimes na internet, registrou um aumento de 110% nas queixas de delitos virtuais em 2018, com a pornografia infantil liderando as denúncias [5].
O grooming e o assédio online são epidêmicos. Uma pesquisa da UNESCO revelou que cerca de 24% das crianças e adolescentes no Brasil já sofreram algum tipo de assédio em redes sociais ou jogos online. De forma ainda mais chocante, o estudo aponta que aproximadamente 90% desses casos correspondem a aliciamento e pornografia infantil [3]. As meninas são as vítimas mais frequentes, representando quase 80% dos casos. Embora o Brasil ocupe a sexta posição em número de casos na América Latina, a prevalência do problema é inegável e devastadora [3].
As plataformas de jogos, como o Virtual Droid 2, são um vetor central para esses crimes. A pesquisa TIC Kids Online de 2023, um dos mais importantes levantamentos sobre o uso da internet por jovens no país, reportou que 60% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já sofreram algum tipo de assédio em jogos online multijogadores. Além disso, 32% dos usuários na faixa de 15 a 17 anos relataram ter recebido conteúdo de natureza sexual online, com as plataformas de jogos figurando como um dos principais canais para esse tipo de material [6].
Esses dados demonstram que a falta de moderação em jogos como o Virtual Droid 2 não é apenas uma falha de design, mas uma negligência que se insere em um contexto de vulnerabilidade extrema. Enquanto milhões de crianças buscam entretenimento, uma infraestrutura de risco, alimentada pelo anonimato e pela falta de fiscalização, permite que agressores atuem com um grau alarmante de impunidade. A responsabilidade, portanto, transcende os desenvolvedores de aplicativos e recai sobre toda a sociedade, incluindo legisladores, plataformas e, fundamentalmente, as famílias.
O Papel dos Pais
Diante de um cenário tão complexo, a primeira reação de muitos pais pode ser a de proibir completamente o acesso a jogos e aplicativos. Embora compreensível, essa abordagem raramente é eficaz a longo prazo e pode criar uma barreira de comunicação com os filhos. A solução mais sustentável reside em uma combinação de diálogo aberto, monitoramento consciente e o uso de ferramentas de segurança. O papel dos pais não é o de um vigia, mas o de um guia, que prepara a criança para navegar no mundo digital de forma mais segura.
O primeiro e mais importante passo é a comunicação. É fundamental que os pais conversem com seus filhos de forma honesta e sem alarmismo sobre os riscos existentes no ambiente online. Explique, em uma linguagem apropriada para a idade, que nem todas as pessoas na internet são quem dizem ser e que algumas podem ter más intenções. Ensine-os a nunca compartilhar informações pessoais, como nome completo, escola, endereço ou número de telefone. Deixe claro que eles podem e devem contar aos pais sobre qualquer conversa ou pedido que os faça sentir desconfortáveis, com a certeza de que não serão punidos por isso.
O monitoramento é o segundo pilar. Isso não significa espionar, mas participar ativamente da vida digital dos filhos. Jogue com eles de vez em quando, entenda quais são seus jogos favoritos e com quem eles interagem. A Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal sugere uma série de perguntas que os pais podem se fazer para avaliar o impacto dos jogos:
- Como a criança se comporta durante o jogo? Ela fala palavras ofensivas, fica excessivamente agitada ou isolada do ambiente ao redor?
– - Ela sabe diferenciar o que acontece no jogo da realidade?
– - Como ela reage quando o tempo de jogo acaba ou quando é proibida de jogar?
– - Ela demonstra saber que não deve conversar com estranhos ou compartilhar dados? [6]–
As respostas a essas perguntas podem indicar se a relação da criança com o jogo é saudável ou se há sinais de alerta. Mudanças de comportamento, como isolamento, agressividade, ou um medo repentino de ficar sozinho, podem ser indicativos de que algo está errado.
A médica pediatra explica que os predares digitais buscam “crianças com baixa autoestima, carência afetiva, pouco suporte familiar, isolamento social ou com transtornos como ansiedade e TDAH”. Crianças com hiperexposição também são alvos fáceis. ”O predador não escolhe pela beleza física, mas pela fragilidade emocional”, explica Geogia.
Finalmente, as ferramentas de controle parental podem adicionar uma camada extra de proteção. Sistemas operacionais de smartphones, como Android e iOS, oferecem funcionalidades nativas que permitem limitar o tempo de uso, restringir compras em aplicativos e bloquear o acesso a conteúdos inadequados. É crucial, no entanto, que essas ferramentas sejam vistas como um complemento ao diálogo, e não como um substituto para ele. Nenhuma tecnologia pode substituir a confiança e a orientação de um pai ou mãe presente e atento.
No caso específico do Virtual Droid 2, dadas as graves e documentadas falhas de segurança, a recomendação de especialistas como a Dra. Colombino é direta: apague o jogo [4]. Para crianças abaixo dos 14 anos, os riscos superam em muito qualquer benefício social ou de entretenimento que o aplicativo possa oferecer. Para adolescentes mais velhos que insistam em usar a plataforma, a supervisão e o diálogo devem ser redobrados, com conversas francas sobre grooming, compartilhamento de dados e os perigos do contato com estranhos em um ambiente não moderado.
Proteger uma criança no século XXI exige uma nova forma de alfabetização parental: a alfabetização digital. Entender os riscos, conhecer as plataformas e, acima de tudo, manter um canal de comunicação aberto e baseado na confiança são as armas mais eficazes para garantir que o playground digital não se transforme em um campo minado.
O Impacto Psicológico: As Cicatrizes Invisíveis do Abuso Digital
Para além dos riscos imediatos de exploração, a exposição contínua a ambientes tóxicos e a ocorrência de assédio em plataformas como o Virtual Droid 2 deixam cicatrizes psicológicas profundas e, muitas vezes, invisíveis. O cyberbullying, por exemplo, é uma forma de agressão que persegue a vítima para além dos portões da escola, invadindo o santuário do lar através das telas.
A natureza anônima e a viralização do conteúdo online podem intensificar o sofrimento, gerando quadros de ansiedade, depressão, isolamento social e, em casos extremos, ideação suicida. A constante sensação de estar sendo vigiado ou a iminência de um novo ataque podem alterar drasticamente o comportamento da criança, tornando-a mais retraída, irritadiça ou com uma queda acentuada no rendimento escolar.
O grooming, por sua vez, causa um tipo de dano particularmente complexo. O processo de aliciamento é construído sobre uma base de manipulação da confiança. O predador se posiciona como um amigo, um confidente, alguém que compreende a criança e lhe oferece atenção.
Quando a natureza abusiva dessa relação é revelada, a vítima experimenta uma profunda sensação de traição, culpa e vergonha. Muitas crianças se culpam pelo ocorrido, acreditando que foram ingênuas ou que, de alguma forma, consentiram com o abuso. Esse sentimento de culpa é um dos maiores obstáculos para que a criança peça ajuda, aprisionando-a em um ciclo de silêncio que beneficia apenas o agressor.
Psicólogos alertam que as consequências podem perdurar por toda a vida, afetando a capacidade da vítima de estabelecer relacionamentos saudáveis e de confiar nas pessoas. A dissociação entre o avatar amigável e a identidade real do predador pode gerar uma desconfiança generalizada do mundo, dificultando a socialização tanto no ambiente online quanto no offline.
A superexposição a interações superficiais e, por vezes, hostis, também pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades sociais essenciais, como a empatia, a resolução de conflitos e a leitura de nuances na comunicação não-verbal.
Dra Georgia alerta para o tempo seguro de tela. De acordo com a pediatra: 0–2 anos: zero telas, 2–5 anos: até 1h/dia, 6–10 anos: até 1h30/dia, 11–14 anos: até 2h/dia (sem redes sociais) e, por último, 15–18 anos: até 3h/dia.
É crucial que os pais estejam atentos não apenas a mudanças de comportamento, mas também a sinais de sofrimento emocional. A criança que antes era comunicativa e se torna subitamente silenciosa, ou aquela que demonstra uma ansiedade desproporcional ao receber notificações no celular, pode estar emitindo um pedido de socorro. Acolher essa criança sem julgamento, validar seus sentimentos e buscar ajuda profissional especializada são passos fundamentais para iniciar o processo de cura e mitigar os danos a longo prazo.
Responsabilidade Corporativa e Ação Legislativa
A proliferação de ambientes digitais de alto risco como o Virtual Droid 2 levanta uma questão inadiável sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia. A estratégia de se posicionar como uma mera plataforma, isenta de responsabilidade sobre o conteúdo gerado pelos usuários, é cada vez mais insustentável, especialmente quando o público principal é composto por menores de idade.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) do Brasil, em seu artigo 14, já estabelece que o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes deve ser realizado em seu melhor interesse, exigindo o consentimento específico de pelo menos um dos pais ou do responsável legal. A coleta de dados de localização e pessoais sem criptografia, como admitido pelo desenvolvedor do Virtual Droid 2, representa uma falha grave no cumprimento deste princípio.
Além da proteção de dados, a falta de moderação de conteúdo pode ser interpretada como negligência. Empresas que lucram com a interação de milhões de usuários, incluindo crianças, têm o dever ético e, cada vez mais, legal, de investir em sistemas robustos para garantir a segurança de seu ambiente. Isso inclui o uso de inteligência artificial para detectar comportamentos predatórios, a contratação de equipes de moderadores humanos para analisar denúncias em tempo real e a implementação de sistemas de verificação de idade mais eficazes. A desculpa de que a moderação é complexa ou cara não pode servir como justificativa para a inação, especialmente quando a segurança infantil está em jogo.
Felizmente, o cenário legislativo está começando a evoluir. Em setembro de 2025, o Brasil deu um passo importante com a sanção da primeira lei do país dedicada a proteger os direitos das crianças no ambiente online. Essa legislação, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, estabelece salvaguardas e impõe deveres mais claros às plataformas digitais, movendo o país na direção de uma maior responsabilização corporativa. A nova lei representa uma ferramenta para que autoridades e a sociedade civil possam cobrar das empresas uma postura mais proativa na proteção de seus usuários mais jovens.
Contudo, a existência da lei, por si só, não é suficiente. É necessária uma fiscalização rigorosa e a aplicação de sanções significativas para as empresas que não cumprirem suas obrigações. Os pais e a sociedade civil têm um papel vital em pressionar por essa fiscalização, denunciando aplicativos perigosos às autoridades competentes e às lojas de aplicativos, como a Google Play Store e a Apple App Store. A remoção de um aplicativo que falha sistematicamente em proteger crianças não é censura, mas uma medida de saúde pública digital. A responsabilidade pela segurança infantil no ambiente online é compartilhada, e a inércia corporativa não pode mais ser tolerada.
Referências
[1] Google Play Store. Virtual Droid AI. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.soulcastry.virtualdroid2 [2] Chrome-Stats. Reviews of Virtual Droid AI. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://chrome-stats.com/d/com.soulcastry.virtualdroid2/reviews [3] Movimento de Mulheres em São Gonçalo. Grooming: aliciamentos pela internet atingem 24% das crianças e adolescentes no Brasil. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.movimentomulheres.com.br/single-post/grooming-aliciamentos-pela-internet-atingem-24-das-crian%C3%A7as-e-adolescentes-no-brasil [4] Colombino, O. [Publicação em rede social]. Instagram, 22 de novembro de 2025. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DRYWTHRDFzg/ [5] Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Exposição de crianças e adolescentes na internet ocupa 5ª posição no ranking do Disque 100. Publicado em 11 de novembro de 2020. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2020-2/novembro/exposicao-de-criancas-e-adolescentes-na-internet-ocupa-quinta-posicao-no-ranking-de-denuncias-do-disque-100 [6] Secretaria de Comunicação Social. Pontos de atenção no uso de jogos digitais. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/destaques-do-guia/pontos-de-atencao-no-uso-de-jogos-digitais [7] Fast Company Brasil. Roblox: especialistas alertam para riscos à segurança infantil. Publicado em 14 de abril de 2025. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://fastcompanybrasil.com/news/roblox-especialistas-alertam-para-riscos-a-seguranca-infantil-entenda-o-que-e-o-jogo/ [8] Kaspersky. Os sete maiores perigos e riscos que crianças e adolescentes correm com os jogos on-line. Acessado em 23 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.kaspersky.com.br/resource-center/threats/top-7-online-gaming-dangers-facing-kidsVirtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2, Virtual Droid 2,
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